
A KLM em breve deverá fazer uma nova encomenda de jatos Embraer, consolidando-se como principal operadora dos aviões E2 na Europa.
A empresa holandesa, que celebra hoje 107 anos de existência, é a mais antiga companhia aérea do mundo e hoje a maior operadora no continente europeu de aeronaves brasileiras: são 62. Os jatos dos modelos E175-E1, E190-E1 e E195-E2 atendem várias cidades europeias a partir do hub da empresa no Aeroporto Schiphol, na Grande Amsterdã, através da subsidiária regional KLM Cityhopper, que antes voava com os aviões nacionais Fokker.
Dos modelos mais antigos E1, são 37 unidades, ficando apenas atrás da polonesa LOT, que tem 38 unidades e é a única no mundo a operar todas as versões da primeira geração de E-Jets, do E170 até o E195, passando pelo E175 e E190. Porém, a companhia aérea polaca começará em breve a retirar os aviões brasileiros, como o CEO da LOT revelou com exclusividade ao AEROIN no ano passado, tornando a KLM também a maior operadora dos E1.
O último E195-E2 do pedido original da KLM para 25 aeronaves foi entregue em setembro do ano passado, como mostramos aqui, e desde então é perguntado se a empresa fará uma nova encomenda. Neste ano têm surgido rumores desses pedidos, mas alguns pontos ainda precisavam ser alinhados.
Em conversa com pessoas próximas ao núcleo da companhia, na pequena e agradável cidade de Amstelveen, apuramos que um dos empecilhos era a questão do ruído, já que o E2, apesar de ser mais silencioso, tem um barulho de baleia devido aos seus motores Pratt & Whitney, que também é notado no concorrente Airbus A220 e no maior A320neo, apesar de não ser tão proeminente.
A comunidade em volta de Schiphol tem travado uma batalha com o governo e a administradora para reduzir os voos, e este ponto preocupa a KLM, que não verá tanta vantagem em colocar tantos aviões menores, o que pode se sobressair para a Embraer em um certo ponto, como veremos a seguir.
Outro ponto é o próprio problema com os motores PW1900G, que está praticamente sanado, mas deu uma grande dor de cabeça para a companhia aérea holandesa, que foi de longe a mais afetada entre os operadores do E2, apesar de estar num nível menor que a Swiss com o A220.
Com a maturação do motor e agora com a pauta das reduções em Schiphol não sendo tão restritiva, a KLM voltou a considerar a nova encomenda, visando também a entregas não tão tardias, já que a fila da Embraer tem aumentado consideravelmente, com destaque para os pedidos das latino-americanas Abra Group, que inclui a GOL, e LATAM, que recebe amanhã sua primeira unidade do E195-E2.

Uma possível restrição de voos em Schiphol reforçaria a necessidade da troca do E175, que na KLM leva até 88 passageiros, em comparação aos 132 (que estão modificados para 136) assentos no E195-E2 da empresa. Caso a empresa não consiga expandir seus voos ou tenha restrições neste sentido, os E2 podem trazer mais assentos por voo. Como o E175 é empregado em rotas/voos de menor demanda, e não por ser um avião menor que pousa em pistas menores, a troca faz sentido para a KLM em contraste com outras companhias aéreas, que precisam de um jato de porte reduzido para operar em pistas mais restritas, ou por questões sindicais, como ocorre nos EUA.
Esta vontade foi confirmada hoje pela CEO da KLM, Marjan Rintel, numa coletiva de imprensa. Ela afirmou que todos os E1 serão substituídos por E2, sem possibilidade de entrar outro tipo, ainda que o E190-E2 seja uma opção, ainda que remota. A executiva porém não deu outros detalhes, e nem disse quando assinaria o contrato com a fabricante de São José dos Campos.
Considerando que hoje são 37 unidades do E175-E1 e E190-E1 na Cityhopper, um pedido poderia girar em torno de mais 25 aeronaves, incluindo encomendas firmes e opções de compra, podendo chegar a algo próximo de 35 jatos adicionais no longo prazo, no que seriam 20 pedidos firmes e 10 opções de compra futura.
Os jatos E175 da KLM são mais novos, têm 9 anos de idade em média, já os E190 já passaram da marca de 15 anos, que é quando uma aeronave começa a ser avaliada para substituição. Outro motivo que pesa a favor da substituição são as metas ambientais que a Europa tem imposto e, com emissões 34% menores (medidas pela própria KLM), o E2 tem mais um trunfo para continuar sendo o “rei” na companhia aérea real dos Países Baixos.





