Mesmo com disparada do combustível, controladora da British e da Iberia mantém lucro no 1º semestre

O International Airlines Group (IAG), controladora da British Airways, Iberia, Aer Lingus, Vueling e LEVEL, divulgou seus resultados financeiros do primeiro semestre de 2026, registrando crescimento de receita, forte geração de caixa e mantendo uma perspectiva positiva para o restante do ano, apesar dos impactos provocados pela crise no Oriente Médio e por outras tensões geopolíticas.

Entre janeiro e junho, o grupo alcançou receita de € 16,064 bilhões, alta de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionada pela continuidade da forte demanda por viagens. O lucro operacional antes de itens extraordinários foi de € 1,757 bilhão, abaixo dos € 1,878 bilhão registrados um ano antes, refletindo principalmente o aumento dos custos com combustível e a redução da capacidade em relação ao planejado.

Ainda assim, o IAG destacou que encerrou o semestre com margem operacional de 10,9%, considerada uma das mais elevadas do setor, sustentada pelo controle disciplinado de custos e pelo desempenho de seu portfólio de companhias e mercados.

O IAG voltou a demonstrar que seus sólidos fundamentos continuam sustentando a geração de valor para os acionistas, apesar do impacto da crise no Oriente Médio e de outros eventos geopolíticos“, afirmou o diretor-presidente do grupo, Luis Gallego.

Segundo o executivo, o grupo está bem posicionado para enfrentar os desafios de curto prazo graças ao portfólio diversificado de marcas, às margens elevadas, à forte geração de caixa, ao balanço financeiro sólido e ao programa de transformação implementado nos últimos anos.

No segundo trimestre, a receita totalizou € 8,883 bilhões, crescimento de 0,2% na comparação anual. O lucro operacional antes de itens extraordinários caiu 16,3%, para € 1,406 bilhão, principalmente em razão da alta dos preços do combustível. O grupo informou que conseguiu compensar aproximadamente 60% desse aumento por meio de crescimento de receita e iniciativas de redução de custos, conforme previsto.

Outro destaque do semestre foi a geração de fluxo de caixa livre, que alcançou € 2,905 bilhões, ante € 2,097 bilhões no primeiro semestre de 2025. O desempenho foi favorecido pelo cronograma de entregas de aeronaves e por efeitos contábeis relacionados a pagamentos realizados no ano anterior.

Para o restante de 2026, o IAG afirmou esperar que a demanda por viagens permaneça forte em toda a sua rede. Atualmente, cerca de 57% da capacidade do segundo semestre já está comercializada, com receita de reservas em linha com a registrada no mesmo período do ano passado.

O grupo manteve a projeção de margem operacional anual entre 12% e 15%, além da expectativa de forte geração de caixa livre e continuidade da política de remuneração aos acionistas. A previsão de capacidade para o ano foi revisada para estabilidade em relação a 2025, enquanto o investimento em capital deve ficar em torno de € 3,4 bilhões.

Atlântico Sul cresce, com destaque para o Brasil

O Atlântico Sul representa aproximadamente 20% da capacidade do IAG e é atendido principalmente pela Iberia, com participação também da British Airways e da LEVEL.

No primeiro semestre, a capacidade do grupo na região aumentou 3,5%, enquanto a receita unitária cresceu 1,6%, chegando a 5,9% quando desconsiderado o efeito cambial.

A Iberia continuou expandindo sua presença no mercado sul-americano, elevando sua capacidade em 3% no período. A companhia ampliou frequências para aeroportos estratégicos e passou a operar os novos Airbus A321XLR nas rotas para Recife e Fortaleza, fortalecendo sua presença no Nordeste brasileiro.

Já a British Airways reduziu ligeiramente sua oferta na região, com cortes de capacidade nas rotas para São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Parte dessa redução foi compensada pelo aumento de frequências para destinos no Caribe, como Kingston, a partir do aeroporto de Londres-Gatwick.

Entregas de aeronaves

O IAG informou que agora espera receber 16 aeronaves novas ao longo de 2026, sendo que três já foram entregues no primeiro semestre.

A maior parte das entregas será composta por aeronaves de corredor único, incluindo os primeiros Boeing 737 destinados à Vueling, que iniciou a transição de sua frota de Airbus para modelos da fabricante americana. Também estão previstas as últimas entregas do atual pedido de Airbus A321XLR para Iberia e Aer Lingus.

O grupo informou ainda que um Boeing 787-10 Dreamliner, inicialmente previsto para ser entregue em 2026, teve sua chegada adiada para 2027. Além disso, destacou o fortalecimento de sua estrutura financeira, incluindo a recompra de títulos conversíveis e a emissão de € 1 bilhão em novos títulos de dívida, medidas que ampliaram a liquidez e reduziram o risco de diluição para os acionistas.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

Veja outras histórias