
A Motiva concluiu nesta terça-feira, 1º de setembro, a venda de 100% de sua plataforma de aeroportos para o Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), operador aeroportuário mexicano com presença em diferentes países da América Latina. A transação foi finalizada pelo valor de R$ 12,211 bilhões, considerando a atualização monetária por uma taxa negociada entre as partes e ajustes de balanço.
Do montante total, R$ 5,187 bilhões correspondem ao equity referente à totalidade das ações da CPC Holding, empresa que concentrava as participações da Motiva nos 20 aeroportos, enquanto outros R$ 7,024 bilhões correspondem às dívidas relacionadas aos ativos.
Segundo a Motiva, a operação foi a maior transação aeroportuária realizada recentemente no mundo. O processo competitivo contou com a participação de mais de 20 grupos empresariais da Europa, América Latina e Ásia, número que superou as expectativas da companhia brasileira.
A conclusão do negócio ocorreu depois que a operação recebeu aprovação dos órgãos de defesa da concorrência, credores e poderes concedentes dos países envolvidos. Durante o período de análise, a Motiva continuou responsável pela administração dos terminais, mantendo os funcionários e o cumprimento dos contratos em vigor.
Os ativos foram avaliados, nos termos finais da operação, a um múltiplo EV/EBITDA (LTM) de 8,8 vezes. De acordo com a empresa, o indicador está acima do múltiplo atual da Motiva e representa criação de valor para a companhia e seus acionistas.
Os recursos obtidos com a venda serão destinados à redução do endividamento da holding da Motiva. A empresa estima que a alavancagem consolidada, considerando as controladas em conjunto com a companhia, cairá de 3,7 vezes para aproximadamente três vezes após a conclusão da operação.
Com uma estrutura financeira mais equilibrada, a Motiva pretende ampliar sua capacidade para aproveitar um pipeline estimado em R$ 170 bilhões em oportunidades nos próximos anos. Os projetos abrangem concessões rodoviárias, ferroviárias e de trens e metrôs no Brasil.
A companhia também espera otimizar sua estrutura de capital e melhorar o perfil de risco de seu portfólio após a venda da plataforma aeroportuária.
A operação agora entra em uma fase de transição, na qual os ativos serão transferidos dos sistemas corporativos e administrativos da Motiva para a ASUR. Durante esse período, o Centro de Serviços Compartilhados (CSC) da empresa brasileira continuará prestando temporariamente serviços de backoffice ao grupo mexicano, incluindo folha de pagamentos, suprimentos e Tecnologia da Informação (TI).
Segundo a Motiva, o período de transição foi planejado para assegurar a continuidade das operações dos 20 aeroportos sem impactos para os passageiros.
No dia seguinte à conclusão da transação, todos os funcionários que atualmente trabalham na plataforma aeroportuária serão transferidos para a ASUR. Os resultados da operação, que vinham sendo registrados nas demonstrações financeiras na rubrica “Ativos e Passivos Mantidos para Venda e como Operações Descontinuadas”, deixarão de ser consolidados no balanço da Motiva a partir do terceiro trimestre de 2026.
A plataforma aeroportuária vendida à ASUR reúne 20 operações na América Latina, sendo 17 no Brasil e três em outros países da região. Os ativos movimentam aproximadamente 45 milhões de passageiros por ano e contam com mais de 200 rotas regulares.
Com esse volume, a operação é considerada a terceira maior do Brasil e inclui aeroportos estratégicos, como os de Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia. No território brasileiro, os terminais estão distribuídos pelas cinco regiões e conectam capitais, destinos turísticos internacionais, polos industriais e logísticos, áreas do agronegócio e cidades próximas às fronteiras com os países do Mercosul.
A rede possui diferentes perfis de operação, incluindo turismo, aviação executiva, transporte regional, carga, logística e atividades industriais.
Entre os aeroportos brasileiros que passam à administração da ASUR estão os de Bagé (RS), Belo Horizonte/Confins (MG), Belo Horizonte/Pampulha (MG), Curitiba (PR), Curitiba/Bacacheri (PR), Foz do Iguaçu (PR), Goiânia (GO), Imperatriz (MA), Joinville (SC), Londrina (PR), Navegantes (SC), Palmas (TO), Pelotas (RS), Petrolina (PE), São Luís (MA), Teresina (PI) e Uruguaiana (RS).
Em Confins, a ASUR passa a ocupar a posição anteriormente detida pela Motiva no bloco privado da BH Airport. A aquisição adicional da participação de 12,75% da Zurich Airport na concessionária ainda segue os trâmites regulatórios necessários para sua conclusão.
A aquisição da plataforma brasileira também amplia a presença internacional da ASUR. No México, o grupo opera nove aeroportos na região sudeste, incluindo o Aeroporto Internacional de Cancún. Na Colômbia, administra seis aeroportos no norte do país, entre eles o Aeroporto Internacional José María Córdova, em Rionegro, que atende Medellín e sua região metropolitana.
Em Porto Rico, a ASUR possui 60% da concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan. No Equador, detém 46,5% da concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Quito.
O grupo também controla as concessionárias responsáveis pelos aeroportos internacionais de San José, na Costa Rica, e de Curaçao. Nos Estados Unidos, mantém presença em terminais de três importantes hubs aéreos: Los Angeles (LAX), Nova York (JFK) e Chicago O’Hare (ORD).





