
A aviação comercial boliviana está prestes a ganhar um novo player. A Cruzair, companhia aérea fundada por Humberto Roca, ex-executivo da Aerosur, prevê iniciar operações entre fevereiro e abril de 2027, dependendo da chegada das aeronaves.
Segundo o Aviacionline, inicialmente, a empresa terá três Airbus A320, arrendados, cada um com 170 assentos, e espera alcançar sete aviões até o fim do ano, incluindo uma aeronave cargueira dedicada à rota para Miami.
Em entrevista à rádio boliviana Asuntos Centrales, Roca detalhou o processo de certificação junto à Direção Geral de Aviação Civil (DGAC), que já está em andamento e deve durar cerca de oito meses. O empresário explicou que a Cruzair já está constituída e aguarda a liberação final das autoridades para operar.
A malha inicial da Cruzair contemplará voos de Santa Cruz de la Sierra para destinos locais como Cochabamba e La Paz, e internacionais, incluindo Buenos Aires, São Paulo, Assunção e Iquique.
Posteriormente, a companhia estudará incluir Pando (região boliviana), além de voos para Miami e Madrid, este último com foco especial na comunidade boliviana no exterior. “Cruzair é uma companhia feita para os bolivianos, não apenas uma companhia de bolivianos como as que existem hoje”, enfatiza Roca.
Uma das novidades apresentadas pela Cruzair é a oferta de quatro faixas de tarifas em uma única cabine, variando dos serviços mais completos, com mais bagagens, catering diferenciado e acesso a lounge VIP, até uma opção low cost, restrita a mochilas, por metade do preço da tarifa convencional. Na rota Santa Cruz–La Paz, por exemplo, os preços podem variar de 600 a 1.500 pesos bolivianos.
Com um investimento inicial estimado em US$ 15 milhões, a Cruzair tem entre seus sócios quatro empresários de Santa Cruz e o próprio filho de Roca. A folha de pagamento inicial deverá contar com cerca de 30 comissários de bordo e 30 pilotos e copilotos, já que o custo de treinamento de cada piloto pode chegar a US$ 25 mil.
Além da Cruzair, Humberto Roca revelou planos para lançar uma segunda companhia, a Neosur, com o objetivo de transformar Santa Cruz de la Sierra num hub regional.
A operação começaria em 2028 ou 2029, com dez Airbus A220-300 e perfil voltado ao segmento premium, voltando-se inclusive para voos de longa distância à Europa no futuro.
Roca acredita que o mercado boliviano suporta até três companhias aéreas, mas aponta que as rotas domésticas pouco lucrativas deverão seguir operadas pela estatal BoA. Ele defende incentivos, marcos regulatórios estáveis e uma empresa local forte para viabilizar o hub em Viru Viru, aeroporto cujo projeto de ampliação acaba de ser lançado.





