Para receber os caças F-35 dos EUA, Turquia pede aval da Rússia para se livrar de baterias antiaéreas

Imagem: Lockheed Martin

O governo turco está negociando com o Kremlin uma saída “à francesa” para se livrar do seu único impedimento para receber os caças F-35 fabricados nos EUA: as baterias S-400.

A bateria de longo alcance foi fabricada na Rússia e, à época, era a mais avançada disponível fora do mercado ocidental. Apesar de ter se mostrado, na guerra da Ucrânia, um armamento de qualidade inferior, com 30 lançadores e 17 radares destruídos, os EUA temiam que os dados de voo captados pelo radar do S-400 pudessem ser repassados à Rússia em algum momento, comprometendo o fator surpresa no uso do F-35 contra Moscou ou algum aliado.

Com isso, mesmo com os caças já prontos e os pilotos turcos em treinamento nos EUA, Washington travou a compra, e os aviões nunca foram entregues, apesar de a própria Turquia fazer parte da cadeia original de fornecedores do projeto Joint Strike Fighter, que originou o F-35.

Ao mesmo tempo, a Turquia não poderia simplesmente descartar o S-400, já que firmou um contrato com a Rússia que exige aval do Kremlin para a destinação do armamento. Visando não causar um desentendimento diplomático com Moscou e também não querendo enviar o S-400 de volta ao país de origem para não contribuir com o ataque à Ucrânia, Ancara agora negocia o envio dele ao Oriente Médio, possivelmente repassando o sistema para o Catar ou os Emirados Árabes Unidos.

Esses países árabes têm interesse no sistema, já que atualmente dependem de baterias americanas para defesa que, apesar de serem relativamente efetivas, não se mostraram numericamente suficientes para neutralizar todas as ameaças do Irã, que enviou centenas de drones para atacar bases americanas tanto no Catar quanto nos Emirados.

Por outro lado, a Rússia também considera que isso prejudica seu aliado Irã na região e que o assunto é delicado, mas está sendo discutido. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, “o assunto é extremamente sensível. Nós nos comunicamos com a Turquia sobre esse assunto e iremos manter contato“, informou à TASS.

Apesar de poder ser uma saída que não desagrade tanto Moscou, os países árabes sabem que a bateria seria apenas um sistema alternativo e de apoio, já que não é possível contar com a Rússia para o fornecimento constante de munições e suporte técnico, especialmente depois da invasão da Ucrânia.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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