Pesquisa europeia aponta persistência da fadiga entre pilotos e SNA reforça alerta no Brasil

Imagem: Divulgação – SWISS

A fadiga dos pilotos de aviação permanece como um grave problema não solucionado, segundo o último relatório divulgado pela ECA (European Cockpit Association) no dia 26.

O estudo, que ouviu 7.200 pilotos de diferentes países da Europa, revelou que 76,8% deles sofreram pelo menos um microssono durante a operação nas últimas quatro semanas e 38,8% afirmaram não ter descanso suficiente para evitar a fadiga cumulativa.

O medo de represálias e a falta de ambiente seguro para reporte são apontados como causas da subnotificação desse risco, com apenas 37,2% dos pilotos relatando oficialmente a fadiga, enquanto 24,2% admitem voar mesmo fatigados sem reportar a condição.

O receio das consequências por recusar a prorrogação da jornada cresce: 69,1% demonstram alguma preocupação com esse aspecto em 2026, frente a 65,8% em 2023. A ECA alerta que a gestão da fadiga não pode ser considerada responsabilidade apenas dos pilotos, cobrando ação firme de autoridades, empresas aéreas e da EASA (Agência Europeia de Segurança da Aviação).

No Brasil, o cenário não é diferente. A Pesquisa de Fadiga 2026, conduzida pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), confirma que quatro em cada cinco tripulantes já pegaram no sono involuntariamente durante o voo e 80,8% nunca ou raramente se sentem plenamente descansados. Além disso, 73,8% relatam não se sentirem confortáveis para reportar fadiga às companhias, o mesmo índice observado em 2023.

O SNA enfatiza a necessidade urgente de rever o RBAC 117, regulamento da Anac que estabelece regras sobre gerenciamento de fadiga. Em evento recente, o presidente da agência, Tiago Faierstein, se comprometeu a incluir os aeronautas na revisão coletiva da norma.

Para o sindicato, é fundamental um ambiente não punitivo de reporte e compromisso firme das empresas com práticas efetivas de gerenciamento de fadiga.

Diante do quadro global, SNA e ECA destacam que o ritmo lento dos órgãos reguladores é incompatível com a gravidade do problema, e prometem seguir pressionando por mudanças que garantam mais segurança a tripulantes e passageiros na aviação.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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