
O National Transportation Safety Board (NTSB) divulgou detalhes importantes sobre o acidente fatal envolvendo um Cessna 208B Grand Caravan durante uma operação de paraquedismo, ocorrido em Youngstown, Nova York, em 20 de julho de 2024.
O relatório revela que a aeronave, registrada como N1259K e operada pela Skydive the Falls, ultrapassou os limites máximos de velocidade durante uma descida quase vertical, após o lançamento dos paraquedistas.
Segundo a investigação, o piloto, único ocupante a bordo no momento do acidente, já que todos os paraquedistas haviam saltado, não conseguiu recuperar o controle do avião, que havia realizado cinco voos semelhantes no mesmo dia, durante o festival Skydive the Falls Fest Boogie.
O Caravan foi utilizado para seis voos naquela manhã, sempre subindo até altitudes entre 10 e 13 mil pés, e realizando posteriormente descidas rápidas para retornar ao aeródromo.
Análise dos dados de rastreamento ADS-B mostrou que, nos cinco voos anteriores, o padrão era iniciar uma descida acentuada, com razão de até 10 mil pés por minuto, para depois estabilizar entre 2.500 e 5 mil pés por minuto.
No voo do acidente, o início seguiu o protocolo observado nos voos prévios, mas por volta das 11h39 locais, a razão de descida aumentou vertiginosamente, chegando a aproximadamente 35 mil pés por minuto, e a velocidade atingiu cerca de 275 nós, valores muito superiores aos parâmetros normais de operação.
Uma evidência fundamental encontrada nos destroços foi a posição do compensador do profundor (elevator trim), ajustado totalmente para nariz baixo.
Segundo os investigadores, o dispositivo provavelmente foi colocado nessa posição para facilitar a descida acelerada, mas pode ter tornado a recuperação da aeronave impossível após exceder a velocidade operacional.
Devido aos danos do impacto, não foi possível testar o funcionamento completo do trim ou dos sistemas de comando de voo, o que limita conclusões quanto à resposta mecânica da aeronave no momento crítico.
Imagens captadas por câmeras presas aos paraquedistas e relatos de testemunhas em solo apontam que o Caravan iniciou uma descida extremamente inclinada e rolou à direita antes de sumir do campo de visão.
O avião se chocou com uma área gramada próxima à Niagara Scenic Parkway, em atitude de nariz baixo quase invertida, sendo destruído pelo impacto e pelo fogo subsequente. O piloto, que acumulava em torno de 1.449 horas totais de voo, 102 delas no Caravan, trabalhava há três meses para a operadora.
A investigação destaca a importância do respeito aos limites operacionais em descidas abruptas, comuns em operações de paraquedismo, para evitar perda de controle e consequentes tragédias.


