
A Polícia Federal irá adquirir dois novos helicópteros de médio porte para reforçar sua capacidade de atuação em operações contra crimes ambientais, tráfico de entorpecentes, crimes fazendários e missões de alto risco.
A necessidade de renovação da frota consta de um documento de justificativa elaborado para embasar o processo já aberto de licitação, o qual o AEROIN obteve acesso antecipado.
De acordo com o estudo que embasa a compra, as aeronaves deverão pertencer à categoria HMLT (Helicóptero Multimotor) e ter capacidade para transportar dois pilotos e, no mínimo, 12 passageiros, ou dois pilotos e aproximadamente 2.200 kg de carga útil. O objetivo é incorporar inicialmente duas aeronaves, embora o próprio levantamento técnico indique uma necessidade total de quatro helicópteros de transporte de médio porte para atender às demandas da corporação.
Atualmente, a Polícia Federal conta com três helicópteros classificados como aeronaves de transporte: dois Bell 412 Classic, fabricados em 1983, e um AgustaWestland AW139, adquirido em 2013. Segundo o documento, os dois Bell 412 estão em processo de baixa devido à idade avançada, enquanto os novos helicópteros deverão substituir esses modelos.
A frota também possui aeronaves leves, entre elas três Airbus H125 Esquilo da versão AS350 B2 e dois da versão bimotora AS355. Estes últimos, de configuração bimotora, foram fabricados há mais de 20 anos e enfrentam dificuldades crescentes de disponibilidade devido à descontinuação dos modelos pela fabricante e à perspectiva de descontinuação dos motores. A dificuldade para obter peças de reposição tem elevado o tempo necessário para manutenção e impactado a capacidade operacional da unidade aérea.
O estudo aponta que a elevada indisponibilidade da frota de helicópteros é um dos principais fatores que limitam o atendimento das demandas das unidades da Polícia Federal. Além da idade das aeronaves, a corporação afirma não conseguir manter a chamada diagonal de manutenção considerada adequada para a aviação, segundo a qual aproximadamente 60% da frota deveria estar simultaneamente disponível, enquanto os outros 40% permaneceriam em manutenção.
A necessidade de novos helicópteros está diretamente relacionada ao perfil das operações realizadas pela Polícia Federal. No combate a crimes ambientais na Região Norte, por exemplo, foram registradas 11 operações em 2022, com cada missão exigindo aproximadamente oito a dez dias de dedicação da aeronave, incluindo o deslocamento até a área de atuação.
O documento destaca que os helicópteros de médio porte são particularmente importantes nesse cenário por oferecerem maior autonomia, alcance e capacidade de transporte em comparação com as aeronaves leves. A estratégia considerada ideal pela corporação é o emprego conjunto de um helicóptero de transporte e outro de categoria leve, permitindo que a aeronave maior transporte equipes e equipamentos, enquanto a menor proporciona maior flexibilidade para reconhecimento, segurança e intervenção.
A Polícia Federal também prevê o emprego permanente de aeronaves na região amazônica para atender alertas de desmatamento no âmbito da operação Guardiões do Bioma. O planejamento contempla uma base em Manaus, onde já existe uma estrutura da Coordenação de Aviação Operacional (CAOP), além de um avião turboélice Cessna C208B Grand Caravan.
Segundo os cálculos apresentados no estudo, somente as operações de repressão a crimes ambientais demandariam 585 dias anuais de disponibilidade de helicópteros de transporte e outros 585 dias de aeronaves leves. Já as operações de erradicação de plantações de drogas representariam uma demanda adicional de 204 dias para cada categoria de helicóptero.

Outra frente considerada é a atuação na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, especialmente em apoio às ações de repressão ao contrabando, descaminho e tráfico de entorpecentes realizadas pelos Núcleos de Polícia Marítima de Foz do Iguaçu e Guaíra. A Polícia Federal aponta que diversas solicitações deixam de ser atendidas devido à indisponibilidade de aeronaves e prevê o estabelecimento de uma base permanente de helicóptero leve na região.
O estudo também considera missões de apoio ao cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão de alto risco, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Como essas demandas são difíceis de quantificar, a corporação estima a realização de oito operações anuais, com cinco dias de duração cada, totalizando 40 dias de disponibilidade de aeronaves.
Com base no conjunto das demandas, o estudo concluiu que a frota ideal seria composta por quatro helicópteros de transporte de médio porte e seis aeronaves leves. Essa configuração permitiria atender até três demandas simultâneas com células formadas por um helicóptero de transporte e uma aeronave leve, além de possibilitar o funcionamento das bases planejadas para Foz do Iguaçu e Manaus.
Apesar da necessidade apontada de quatro aeronaves de transporte, o processo em questão prevê a aquisição inicial de apenas duas. O documento explica que a compra faz parte de uma incorporação gradual da frota e que os dois novos helicópteros serão acompanhados pela baixa dos dois Bell 412 Classic atualmente utilizados pela Polícia Federal. Os dois AS355 também deverão ser retirados de operação.

Para a nova aeronave, a Polícia Federal estabeleceu uma série de requisitos técnicos. O helicóptero deverá ser bimotor, novo de fábrica, estar em produção seriada e contar com representação do fabricante no Brasil, além de uma rede de atendimento com oficina homologada pela ANAC para realizar sua manutenção no país.
A aeronave deverá transportar dois pilotos e pelo menos 12 passageiros com seus respectivos equipamentos, totalizando uma carga de aproximadamente 1.300 kg nessa configuração. Também deverá apresentar alcance mínimo de 330 milhas náuticas com essa carga e capacidade para realizar trajetos de pelo menos 500 milhas náuticas sem reabastecimento quando transportando apenas os pilotos e dois operadores aerotáticos.
Entre os demais requisitos estão a capacidade de operar em período diurno e noturno, inclusive em condições meteorológicas marginais, sob regras de voo por instrumentos (IFR), além da configuração bimotora considerada necessária para operações em regiões de selva, especialmente na Amazônia.
O documento apresenta ainda uma comparação entre quatro modelos de helicópteros de médio porte que poderiam atender aos requisitos: AgustaWestland AW139, Bell 412EPX, Airbus H160 e Sikorsky S-76C++. Entre os modelos analisados, o AW139 aparece com capacidade para 15 passageiros, carga útil de 2.600 kg, velocidade de 150 nós e alcance de 562 milhas náuticas com tanque auxiliar, enquanto o Bell 412EPX comporta 13 passageiros e apresenta carga útil de 2.443 kg.
A aquisição dos dois helicópteros representa, portanto, a primeira etapa de um plano mais amplo de renovação e expansão da aviação da Polícia Federal. Segundo a justificativa, a medida busca reduzir os períodos de indisponibilidade provocados pelo envelhecimento da frota e ampliar a capacidade de resposta da corporação em operações que dependem diretamente do emprego de aeronaves de asas rotativas.
Outra opção não citada no documento seriam helicópteros Sikorsky UH-60 (S-70) Black Hawk, que já foi comprado pelo Rio de Janeiro e são utilizados nas três Forças Armadas, e atendem todos os requisitos citados, apesar de possuir um espaço interno menor que o AW139, H160 e o S-76.
O recebimento das propostas ocorrerá até o dia 10 de setembro, quando será realizado o leilão por menor preço, sendo que o orçamento para esta compra é de R$ 369 milhões de reais.





