
O primeiro avião E-Jet fabricado na história está sendo picotado e transformado em etiqueta de bagagem, marcando o fim do primeiro jato Embraer E190, que mudou a história da aviação brasileira.
De matrícula PP-XMA e número de série 19000001, a aeronave é o primeiro protótipo da família de aviões E-Jets, que seria formada pelo E170, E175, E190 e E195, posteriormente evoluindo para a segunda geração, chamada E2.
A sua primeira decolagem ocorreu em 12 de março de 2004, em São José dos Campos (SP), marcando o início do processo de certificação do que se tornaria a família de jatos regionais de maior sucesso do mundo.
O PP-XMA, em específico, foi importante não apenas para demonstrar a aeronave a futuros clientes ao redor do mundo, mas também por ser a aeronave utilizada na certificação de pouso íngreme no Aeroporto London City, em Londres, ganhando inclusive uma pintura temática para promover a aprovação da utilização da aeronave, sem restrições, no aeroporto central londrino.
Esse processo abriu caminho para que o mais novo e maior E195-E2 também voasse em London City, como mostramos em detalhes exclusivos em 2022, a bordo do voo de homologação.

Após 17 anos de serviço na Embraer, servindo principalmente como plataforma de testes de novas tecnologias, o PP-XMA foi retirado de serviço em 2021 e enviado para o Deserto do Arizona, permanecendo no Aeroporto de Kingman. Passados os anos, a aeronave foi adquirida pela MotoArt, que agora está picotando o jato E190-E1 para transformá-lo em etiqueta de bagagem.
Após a desmontagem de seções da fuselagem, o material foi enviado aos estúdios da empresa em Torrance, na Califórnia, onde teve início o processo de transformação da aeronave em peças colecionáveis da linha PlaneTags. O trabalho envolve uma série de etapas artesanais voltadas à preservação da história da aviação.

Cada painel de alumínio passa por inspeção, limpeza e preparação antes de ser cortado no formato característico dos PlaneTags. Segundo a empresa, sempre que possível, são preservados elementos originais da aeronave, como pintura, inscrições, furos de rebites, painéis de inspeção e outras marcas de uso, garantindo que cada peça seja única.
Na sequência, os itens passam pelas etapas de acabamento, gravação, inspeção de qualidade e embalagem. Cada PlaneTag recebe ainda um número de série individual, reforçando seu caráter exclusivo para colecionadores.

De acordo com a MotoArt, preservar os detalhes originais do PP-XMA teve importância especial por se tratar do primeiro protótipo do Embraer E190. A empresa destaca que cada fragmento remanescente representa uma aeronave que desempenhou papel fundamental no processo de certificação da família de jatos regionais da fabricante brasileira. A pintura azul e branca e as marcações utilizadas durante os testes de voo da Embraer foram mantidas sempre que possível, permitindo que os colecionadores adquiram um autêntico pedaço da história da aviação.
Uma data para o início das vendas das etiquetas ainda não foi definida, assim como os valores, mas, em média, a PlaneTags vende as etiquetas feitas com pedaços reais de aviões por US$ 44 (R$ 224) no lançamento. Outras aeronaves com história no Brasil que viraram etiquetas e estão à venda pela PlaneTags incluem um Embraer T-27 Tucano que voou na Colômbia e jatos Airbus A320 e A330 que foram operados pela Azul.





