
O brasileiro pai da copiloto que faleceu no trágico acidente do Learjet 60 no último domingo na Flórida falou com a imprensa pela primeira vez e destacou a trajetória da sua filha, Nathalia Filgueiras.
Allan Filgueiras nasceu no Brasil e imigrou para os EUA, tornando-se piloto de avião, e morou na Flórida, onde Nathalia nasceu e onde começou a voar com ela quando ela tinha 12 anos de idade. Aos 17, ela já tinha obtido sua carteira de piloto privado, e aos 20 já era copiloto do jatinho Learjet 60, com habilitação de tipo obtida em março passado.
Perguntado por um dos repórteres qual mensagem ele gostaria de dar para sua filha, Allan, emocionado, disse: “Eu queria estar ao lado dela, dentro do avião, para ajudá-la, para que ela esteja junto de seus irmãos“. O pai também destacou que Nathalia deixou quatro irmãos.
Ele também foi questionado sobre os comentários maldosos feitos por pessoas sem caráter, que tentaram desqualificar a trajetória da Nathalia por sua juventude e por ser mulher, e Allan afirmou: “Eu sou igual a todos no público. Quando você lê que alguém de 20 anos é copiloto num jato executivo, você se pergunta: como isso é possível? Pois bem, espere até ver a quantidade de horas que ela tinha (1.300 h), o que o governo já havia comprovado sobre suas capacidades e o que os seus instrutores dizem sobre ela. Ela era especial, é uma perda para a aviação. Ela não queria trabalhar em companhias aéreas, ela queria voar“.
O pai cita um momento em que Nathalia foi até ele e falou: “Pai, você consegue acreditar que eu pagaria por isso (para voar), mas, na realidade, são eles que me pagam?“, destacando a felicidade de estar trabalhando no seu emprego dos sonhos.
Um dos jornalistas perguntou se ele chegou a ouvir a transmissão de áudio feita por ela com o controle de tráfego aéreo, que gerou grande impacto em toda a população americana e também brasileira: “Ela me deixou muito orgulhoso pelo seu profissionalismo. Ela me mostrou o que é ser um herói, porque, quando você vê isso acontecendo, muitos pilotos militares experientes não conseguem lidar, e ela estava ali, até o último minuto, batalhando. Eu ouvi várias vezes tentando achar alguma pista do que aconteceu. Eu costumava dar instrução para ela, então ela virou minha instrutora e dizia que não estava sendo dura o bastante comigo como eu era com ela, e eu dizia que ela não podia ser dura comigo“, afirmou Allan.
O brasileiro também destacou que fez questão de que dentro da sua casa fosse falado apenas português, como maneira de Nathalia ter uma conexão com o Brasil e sua família e de aprender uma língua de maneira mais fácil: “Se eu pudesse ensinar 10 línguas para ela, se eu soubesse, eu as ensinaria. Eu tenho que continuar forte, para meus outros quatro filhos, para minha esposa, para mim. A Nathalia não queria ver o seu pai se despedaçando“, concluiu Allan.
As investigações sobre o caso estão em curso e sendo realizadas pelo NTSB, que já relatou ter encontrado parte dos motores e também de um dos profundores, que se desprendeu do Learjet ainda em voo. Você pode conferir a entrevista coletiva do pai de Nathalia na janela abaixo: