Regulador britânico alerta para aumento de pousos após aproximações instáveis e reforça importância da arremetida

A Civil Aviation Authority (CAA), autoridade de aviação civil do Reino Unido, emitiu um alerta de segurança após identificar um crescimento no número de pousos realizados mesmo quando a aproximação da aeronave já não atende aos critérios de estabilidade.

Essa prática, considerada um dos principais fatores de risco durante a fase final do voo, pode aumentar significativamente a probabilidade de acidentes.

Segundo o comunicado da CAA, a análise de relatórios de ocorrências e dados operacionais enviados pelas companhias aéreas revelou que, apesar de muitas aproximações instáveis terminarem sem incidentes, a decisão de não executar a arremetida pode criar uma falsa sensação de segurança.

Dados indicam que pousar após uma aproximação instável aumenta o risco de eventos adversos em até 80 a 100 vezes em comparação a aproximações estabilizadas ou arremetidas realizadas a tempo.

Entre as consequências mais comuns estão pousos duros, toque da cauda na pista (tail strike), pousos longos, excursões de pista e danos estruturais à aeronave.

A aproximação estabilizada é considerada um dos pilares da segurança operacional. Para que uma aproximação seja considerada estabilizada, a aeronave deve estar dentro de parâmetros específicos de velocidade, razão de descida, configuração, potência e alinhamento com a pista antes de uma altitude pré-determinada. Caso algum critério não seja cumprido, o procedimento internacionalmente recomendado é a arremetida imediata.

A CAA ressalta que o comandante mantém autoridade para prosseguir com a aproximação em circunstâncias excepcionais, como quando a arremetida representaria um risco maior, mas reforça que tais situações devem ser raras e bem justificadas.

O regulador alerta ainda para que pressões operacionais, como o desejo de manter horários, receio de arremetida ou tráfego intenso, não sejam usados como justificativas para pousos após aproximações instáveis.

Os procedimentos de controle de tráfego aéreo são desenhados para acomodar arremetidas com segurança, mesmo em aeroportos movimentados.

A CAA recomenda que as companhias aéreas revisem suas políticas sobre aproximação estabilizada e promovam uma cultura que veja a arremetida como uma manobra preventiva normal, e não como uma falha da tripulação.

As orientações incluem revisão dos critérios, uso ampliado de monitoramento de dados de voo, inclusão de cenários realistas em simuladores, incentivo à comunicação aberta e investigação detalhada dos incidentes.

Esse tema integra o Plano Nacional de Segurança da Aviação do Reino Unido para 2026–2029, que destaca as excursões de pista como uma das principais preocupações e identifica as aproximações instáveis como fator relevante para esses eventos.

O alerta da CAA permanecerá vigente até agosto de 2029, período no qual as empresas deverão implementar melhorias em treinamento, procedimentos e gestão de segurança.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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