
Um Boeing 737 operado pela Ryanair não havia recebido uma modificação no revestimento do motor prevista para reduzir o risco de danos à fuselagem em caso de ruptura de uma pá do fan. A informação consta no relatório preliminar divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), que assumiu a investigação do incidente ocorrido em julho na Grécia.
O caso aconteceu em 10 de julho, durante a subida do voo FR-1879, entre Thessaloniki, na Grécia, e Memmingen, na Alemanha. A aeronave, um Boeing 737-800 de 18 anos operado pela Malta Air, subsidiária integral da Ryanair, estava a cerca de 16 mil pés de altitude quando os pilotos receberam um alerta de alta vibração no motor.
A tripulação reduziu a potência e iniciou os procedimentos previstos para a situação. Pouco depois, porém, a vibração aumentou significativamente. Em seguida, houve um forte estrondo e o sistema de alerta de despressurização foi acionado.
Dentro da cabine, comissários perceberam a formação de uma espécie de névoa no interior da aeronave, pouco antes da queda das máscaras de oxigênio e do início do aviso automático de descida de emergência.
Ao verificarem a situação, os tripulantes encontraram um passageiro parcialmente preso à moldura de uma janela localizada ao lado do assento 11F. O vidro havia sido completamente destruído e outros passageiros conseguiram puxar o homem de volta para dentro da aeronave. Um dos comissários chegou a utilizar uma caixa metálica de serviço para tentar cobrir o buraco deixado na fuselagem.
O passageiro, de 61 anos, Ljubisa Karovic, recebeu atendimento de um médico que estava a bordo e não fazia parte da tripulação. Os pilotos conseguiram posteriormente retornar ao Aeroporto Internacional de Thessaloniki, onde a aeronave pousou em segurança.
Na análise do avião, os investigadores do NTSB identificaram a fratura de uma das pás do fan do motor CFM instalado no lado direito da aeronave. O rompimento provocou uma abertura de aproximadamente 35 por 25 centímetros na carenagem externa do motor, localizada no lado voltado para a fuselagem.
Também foram encontrados restos de aves no interior do motor. O indício aponta para a possibilidade de uma colisão com ave ter provocado a falha, mas o NTSB ainda não confirmou essa hipótese como causa do incidente.
O relatório também revelou que o motor não havia recebido uma modificação prevista em uma diretriz de aeronavegabilidade da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), publicada em março de 2025.
A determinação surgiu após recomendações do próprio NTSB relacionadas a um acidente semelhante envolvendo um Boeing 737 da Southwest Airlines, em 2018. Naquele caso, uma falha em uma pá do fan provocou danos à aeronave e resultou na morte de uma passageira, que também foi parcialmente sugada por uma janela rompida.
A modificação determinada pela FAA tem como objetivo reforçar componentes da carenagem do motor para reduzir a possibilidade de que partes se desprendam após uma ruptura de pá e atinjam a fuselagem ou as janelas da aeronave.
Apesar da diretriz, as companhias aéreas têm até 31 de julho de 2028 para concluir as modificações exigidas. Portanto, o fato de o Boeing 737 ainda não ter recebido a alteração estava dentro do prazo estabelecido pela autoridade americana.
Manutenção estava em dia – Segundo o NTSB, a aeronave passava por manutenção regular. Entre os procedimentos realizados estavam inspeções ultrassônicas das pás do fan, que não identificaram rachaduras antes do voo.
Após o incidente, o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que as primeiras informações indicavam que o problema provavelmente havia sido provocado por um objeto externo e descartou, naquele momento, uma relação evidente com a idade ou a manutenção do avião.
O NTSB posteriormente advertiu O’Leary sobre os comentários. Como representante credenciado da companhia na investigação, ele foi informado de que não deveria comentar publicamente sobre possíveis causas do acidente ou divulgar informações relacionadas à apuração enquanto o trabalho dos investigadores estivesse em andamento.
A investigação continua e o relatório preliminar não apresenta uma conclusão definitiva sobre a causa da falha do motor nem sobre a sequência exata que levou à destruição da janela.
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