Sem operações regulares desde 2025, Campos dos Goytacazes articula comissão para tentar retomar voos comerciais

Imagem: Aeroporto de Campos dos Goytacazes

A Prefeitura de Campos dos Goytacazes-RJ pretende articular a criação de uma comissão com representantes dos setores público e privado para buscar a retomada dos voos comerciais no Aeroporto Bartolomeu Lisandro. O assunto foi discutido na manhã da terça-feira (20), durante reunião na sede da Regional Norte Fluminense da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O encontro reuniu representantes da Prefeitura, da Infra Operações Aeroportuárias, concessionária responsável pela administração do aeroporto, além de especialistas em infraestrutura e transporte e integrantes da Firjan, do Porto do Açu, da Associação das Indústrias da Codin (AIC) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL-Campos).

O Aeroporto Bartolomeu Lisandro possui um terminal de passageiros de 1.200 metros quadrados, utilizado tanto pela aviação comercial quanto pelas operações do setor offshore na Bacia de Campos. A pista pavimentada tem 1.544 metros de comprimento e 45 metros de largura, sendo a terceira maior do estado do Rio de Janeiro. A gestão municipal do aeroporto está a cargo da Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos (Codemca), enquanto a operação é administrada pela concessionária Infra.

Apesar da estrutura disponível, o aeroporto está sem voos comerciais regulares desde março de 2025, quando foi suspensa a rota entre Campos e o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). A operação era realizada pela Azul, que justificou a decisão pelo aumento dos custos operacionais, pela necessidade de ajustes na frota e pela adequação da oferta à demanda, como parte de uma revisão de rotas em diferentes regiões do país.

O cenário regional, porém, apresenta novas perspectivas para a aviação comercial. Recentemente, a Latam anunciou voos ligando os aeroportos de Macaé e Cabo Frio ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, com aeronaves Embraer E175 e E195.

Segundo Samuel Ferraz, superintendente do aeroporto pela Infra, os primeiros esforços da concessionária foram direcionados à segurança operacional, à implantação de sinalização, à revitalização da pista e à correção de não conformidades. Ele afirmou que a infraestrutura do Bartolomeu Lisandro permite receber aeronaves do porte dos Embraer E175 e E195.

Ferraz também informou que a empresa mantém reuniões periódicas com representantes da Latam e da Azul para discutir a possibilidade de retomada das operações. “Vejo muita convergência na estrutura que oferecemos e no que as companhias aéreas esperam”, afirmou.

O superintendente defendeu ainda uma participação mais ativa do setor produtivo nas discussões, seguindo o exemplo do processo de revitalização do Aeroporto de Macaé.

O presidente da Codemca, Afrânio dos Santos Júnior, destacou que mantém, em parceria com a Infra, uma agenda contínua de reuniões com companhias aéreas e com a Petrobras para buscar alternativas que fortaleçam o aeroporto e viabilizem o retorno dos voos. Ele também defendeu o alinhamento entre as instituições envolvidas para organizar as informações e definir os próximos passos antes de uma nova rodada de conversas.

“Para avançarmos, considero fundamental que o diálogo seja conduzido com respeito institucional e conhecimento do trabalho já realizado. Nosso compromisso é reunir esforços com o setor produtivo e buscar as condições necessárias para que Campos volte a contar com voos regulares, fortalecendo a economia do município e da região”, declarou.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust, também se colocou à disposição para contribuir com as articulações. “Queremos avançar, com a Infra cumprindo seu papel. O município tem total interesse no modal aéreo, que tem um potencial enorme para alavancar negócios em Campos”, afirmou.

Conselheiro regional da Firjan e participante do processo de ampliação do Aeroporto de Macaé, José Walmir Dias ressaltou que a mobilização na cidade começou por volta de 2010. Segundo ele, a articulação entre lideranças políticas e empresariais contribuiu para que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) concedesse o aeroporto à Zurich Airport, responsável pela construção de uma segunda pista, preparada para receber aeronaves de grande porte.

“É importantíssimo que haja interesse das entidades empresariais de Campos e região. Não é fácil, mas a gente não pode ficar dependendo de terceiros”, disse.

O especialista de Estudos e Competitividade da Firjan, Rafael Poubel, observou que, apesar da alta dos custos do querosene de aviação no último ano, o tráfego aéreo brasileiro voltou a crescer. Ele também mencionou as recentes movimentações da Azul e da Gol em torno da retomada de rotas regionais.

Para Poubel, a elaboração de um estudo que demonstre a viabilidade econômica das operações é uma das etapas necessárias para avançar nas negociações com as companhias aéreas.

“Precisamos fazer um business case (documento que apresenta e justifica uma proposta de negócio) sobre o aeroporto de Campos para levar às empresas aéreas”, afirmou. Ele destacou o potencial de geração de passageiros do município, considerando o crescimento do setor logístico e a proximidade com o Porto do Açu.

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Com uma paixão pelo mundo aeronáutico, especialmente pela aviação militar, atua no ramo da fotografia profissional há 8 anos. Realizou diversos trabalhos para as Forças Armadas e na cobertura de eventos aéreos, contribuindo para a documentação e promoção desse campo.

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