
Sergipe ampliou a capacidade de atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência com a incorporação do helicóptero Airbus H130 T2 de matrícula PP-JEC, destinado desde junho de 2026 exclusivamente às operações de saúde do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde.
De acordo com o Governo do Estado, o investimento permite agilizar o atendimento a pacientes graves e o transporte entre municípios do interior e unidades de referência. Em três anos de atuação, o serviço aeromédico já realizou 440 atendimentos no estado.
O transporte aéreo é destinado a pacientes em estado grave e com condições clínicas tempo-dependentes, nas quais a rapidez do deslocamento pode influenciar o prognóstico. Entre as ocorrências atendidas estão casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC), além de traumas de alta complexidade, acidentes com múltiplas vítimas e outras situações que exigem assistência especializada.
O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, destacou que o investimento amplia a capacidade de resposta da rede pública em ocorrências de urgência e emergência. “O serviço Aeromédico é fundamental para o atendimento de pacientes em estado grave, pois contribui para reduzir o tempo de deslocamento e ampliar as possibilidades de acesso oportuno ao tratamento. Esse investimento reforça o compromisso do Governo do Estado com a qualificação da assistência e a ampliação do acesso aos serviços de saúde”, afirmou.
Regulação integrada
O acionamento do serviço aeromédico é coordenado pela Central de Regulação de Urgências (CRU), vinculada ao Complexo Regulatório de Saúde do Estado, por meio do número 192. O médico regulador avalia as informações clínicas do paciente e a necessidade de transporte aéreo, enquanto o comandante verifica as condições meteorológicas e a segurança do voo.
A regulação médica permite identificar os casos em que o transporte aéreo pode fazer diferença no prognóstico. Com base nas informações clínicas e nas condições de acesso ao local da ocorrência, o médico regulador decide sobre o acionamento da aeronave e organiza o encaminhamento do paciente para a unidade de saúde adequada.
Segundo a coordenadora do Complexo Regulatório de Saúde do Estado, Arianne Costa, a integração entre as equipes permite organizar o atendimento conforme as necessidades de cada ocorrência. “Após a autorização do voo, a central organiza a logística terrestre para garantir o embarque e o desembarque seguros do paciente”, explicou.
O transporte aeromédico tem papel estratégico no atendimento a pacientes do interior, onde a distância até hospitais de referência pode dificultar o acesso rápido à assistência especializada. Em ocorrências selecionadas, a aeronave reduz o tempo de deslocamento e facilita o encaminhamento, conforme as necessidades clínicas de cada paciente.
A indicação do transporte considera a gravidade do quadro, o tempo previsto para o deslocamento e as condições de acesso ao local. “Entre as situações que podem demandar o serviço estão os casos graves de infarto e AVC, traumas de maior complexidade, queimaduras e afogamentos, além de ocorrências envolvendo recém-nascidos e crianças em estado crítico que necessitem de suporte especializado. Cada missão é avaliada pela regulação médica, considerando as condições clínicas do paciente e os aspectos operacionais necessários à realização do voo”, detalhou Arianne.
A operação também segue critérios de segurança relacionados à capacidade e à configuração da aeronave. O transporte de pacientes com peso ou altura elevados depende de avaliação conforme as especificações técnicas e os limites operacionais do equipamento. A cabine é configurada para acomodar o paciente e a equipe assistencial, sem assentos destinados a acompanhantes.
No caso de crianças e adolescentes, o acompanhamento por um responsável deve ser organizado conforme os procedimentos aplicáveis, podendo ser necessário o deslocamento terrestre paralelo. Em situações de risco iminente de morte, a prioridade é garantir o atendimento oportuno, respeitando os protocolos assistenciais e legais.
“Também existem situações clínicas que podem contraindicar ou exigir cuidados específicos para o transporte aéreo, como o trabalho de parto no período expulsivo, quadros de agitação psicomotora que comprometam a segurança da operação e determinadas doenças infectocontagiosas que exijam medidas especiais de isolamento. A decisão depende da avaliação da equipe responsável e dos protocolos de segurança”, acrescentou a coordenadora.
Além do transporte de pacientes, o serviço aeromédico também atua na captação e no transporte de órgãos e tecidos destinados a transplantes, contribuindo para agilizar o deslocamento e viabilizar etapas desse processo.
Nova aeronave amplia recursos de atendimento
O H-130T2 apresenta melhorias estruturais em relação ao modelo anterior. A cabine mais ampla permite posicionar a maca transversalmente e facilita o acesso ao paciente pelos dois lados, possibilitando que o médico atue de um lado e o enfermeiro do outro. A configuração favorece a realização de procedimentos, a administração de medicamentos, o manejo de acessos venosos e a monitorização contínua durante o voo.
O espaço interno também permite acomodar equipamentos médico-hospitalares homologados para o serviço aeromédico e preparados para operar sob as condições de ruído e vibração da aeronave. Entre os recursos disponíveis estão monitor, desfibrilador, respirador automático, oxímetro, bombas de infusão, régua de gases medicinais e suporte para compressor torácico automático.
Os equipamentos ampliam as possibilidades de assistência durante o transporte, permitindo intervenções conforme o quadro clínico do paciente e as condições operacionais da missão.
Outro recurso é uma cápsula de transporte neonatal com controle térmico, semelhante a uma incubadora. O equipamento permite transportar recém-nascidos que necessitem de suporte especializado, inclusive do interior para unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais na capital, mantendo condições adequadas de proteção térmica durante o trajeto.
A superintendente do Samu 192 Sergipe, Cintia Guerra, destacou as mudanças na assistência proporcionadas pela aeronave. “Essa segunda aeronave tem capacidade de operação bem superior à primeira no quesito perfil dos agravos clínicos e traumáticos. Agora também temos condições de monitorar o paciente continuamente pelos olhos atentos dos dois operadores de suporte médico, um de cada lado do enfermo. A melhoria da condição da assistência em tempo real foi fantástica, permitindo intervenções durante o voo e até compressões torácicas automáticas em caso de parada cardiorrespiratória. Além disso, o helicóptero tem a capacidade de chegar onde o avião não pousa e a ambulância não chega”, afirmou.
Cooperação entre Saúde e Segurança Pública
A operação do serviço aeromédico é viabilizada por um termo de cooperação entre a Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). Por meio do Grupamento Tático Aéreo (GTA), a pasta da Segurança Pública disponibiliza os pilotos e copilotos responsáveis pelas missões.
A parceria permite que os profissionais do GTA atuem nas operações das duas aeronaves do estado, contribuindo para a continuidade dos atendimentos durante os períodos de manutenção preventiva e para a organização das missões conforme a demanda. Com uma aeronave destinada especificamente à saúde, o serviço ganha maior disponibilidade e reduz a dependência do equipamento utilizado também nas ocorrências de segurança pública.
“O termo de cooperação entre a Saúde e a Segurança Pública foi um marco na história sergipana, um avanço imensurável no cuidado e na redução de óbitos e incapacidades, pois muitos pacientes não teriam a chance de chegar a tempo ao hospital por via terrestre. Não são apenas 440 pacientes atendidos, são 440 famílias que viram seus entes queridos serem bem assistidos no estado”, concluiu a superintendente.
Transporte aéreo em caso de infarto
A rapidez no atendimento pode ser decisiva para pacientes em situações de emergência. Edmilson Nascimento, de 71 anos, morador de Nossa Senhora do Socorro, foi um dos beneficiados pelo serviço aeromédico após sofrer um infarto grave durante uma visita ao pai, no município de Simão Dias.
Depois de receber os primeiros atendimentos no Hospital Pedro Valadares, ele foi transferido de helicóptero para a capital, onde passou por um cateterismo no serviço de Hemodinâmica do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse).
“Eu estava muito mal lá em Simão Dias e precisava de atendimento rápido. A chegada do helicóptero foi muito importante, porque, se eu tivesse vindo de carro, não sei se teria conseguido chegar a tempo. Fui muito bem atendido e só tenho a agradecer”, relatou o paciente.
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