
A Boeing anunciou hoje (28) a conclusão do último voo planejado da campanha de certificação do 737 MAX 10, marcando um importante avanço rumo à homologação da maior versão do jato 737.
Após quase mil voos de testes e mais de 2 mil horas em operação, o programa agora entra na fase final de avaliações técnicas e regulatórias junto à Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA). Segundo a fabricante, a campanha de ensaios foi concluída após 976 voos de teste, que totalizaram mais de 2.060 horas de voo, além de aproximadamente 1.040 horas de testes em solo.
A última missão de certificação teve como objetivo verificar a audibilidade do detector de fumaça dos lavatórios e do sistema de alto-falantes da cabine, garantindo que a tripulação consiga identificar e responder adequadamente aos alertas durante o voo. A aeronave decolou e pousou no Aeroporto Boeing Field, em Seattle.
Com a conclusão dos testes em voo, a Boeing passará a finalizar as revisões de garantia de desenvolvimento (Development Assurance Reviews – DARs), as avaliações de segurança dos sistemas (System Safety Assessments – SSAs) e a entregar a documentação final à FAA para análise regulatória.
De acordo com a Boeing, os testes validaram todo o conjunto de requisitos exigidos para a certificação da aeronave, incluindo o desempenho do trem de pouso principal, dos freios em pistas molhadas e em frenagens de máxima energia, além da atualização do sistema de degelo dos motores (Engine Anti-Ice – EAI) e do novo sistema aprimorado de ângulo de ataque (enhanced Angle of Attack – eAoA).
A empresa informou que os testes em voo da certificação estão oficialmente 100% concluídos. Entre as etapas restantes, a terceira revisão de garantia de desenvolvimento já foi finalizada, enquanto a quarta está 60% concluída. As avaliações de segurança dos sistemas atingiram 32% de conclusão. A expectativa da Boeing continua sendo obter a certificação do 737 MAX 10 ainda em 2026 e iniciar as entregas aos clientes em 2027.
Durante a campanha, três aeronaves de testes, identificadas como 1G001, 1G002 e 1G003, foram utilizadas paralelamente para acelerar o cronograma de ensaios, sendo a última delas já com a pintura da futura operadora, a United Airlines, companhia aérea fundada originalmente pela própria Boeing no Aeroporto Boeing Field.
737-10 flight test campaign ✅
— Boeing Airplanes (@BoeingAirplanes) July 28, 2026
With more than 2,000 flight hours, the 737-10 has completed its final planned certification flight test.
This extensive testing program validates hundreds of systems, demonstrates safety and proves performance of the largest 737 MAX family member.… pic.twitter.com/hu9sYZvhzT
Além da validação dos sistemas convencionais, os voos também serviram para testar a atualização do sistema de degelo dos motores, desenvolvida após a Boeing identificar condições raras que poderiam provocar superaquecimento sem intervenção dos pilotos ou alterações no projeto.
Outro destaque foi a validação do novo sistema aprimorado de ângulo de ataque, desenvolvido para simplificar as informações apresentadas aos pilotos e reduzir a ocorrência de alertas incorretos no cockpit.
Segundo a fabricante, tanto o novo sistema de degelo quanto o eAoA serão incorporados à produção de todos os modelos da família 737 MAX e posteriormente instalados também nas aeronaves que já estão em operação.
Após a certificação, os três aviões utilizados na campanha passarão por um processo de reconfiguração para receberem o acabamento final, incluindo a remoção dos equipamentos de testes, instalação definitiva da cabine, nova pintura e preparação para entrega aos clientes.
A Boeing destacou que a conclusão dos voos de certificação representa uma das últimas etapas do processo de homologação do 737 MAX 10. Paralelamente, o programa do 737 MAX 7 também segue em desenvolvimento, com certificação prevista para 2026 e início das entregas em 2027.
A brasileira GOL Linhas Aéreas encomendou em 2018 um total de 30 unidades do 737 MAX 10, porém após a crise envolvendo os dois acidentes com o MAX 8 e também a Pandemia, a empresa declarou que tem flexibilidade para escolher entre esta variante ou a menor já operada (MAX 8). Nas últimas estimativas, os primeiros MAX 10 da empresa só seriam recebidos em 2029, mas a empresa não tem atualizado o mercado sobre o assunto já a algum tempo. Por outro lado a vizinha Aerolíneas Argentinas encomendou o modelo recentemente:
