
A Força Aérea Americana (USAF) está deixando de voar com o único avião brasileiro da sua frota, o avião de ataque leve A-29 Super Tucano, fabricado pela Embraer.
Três unidades deste turboélice estão na Base Aérea de Edwards e voavam na Escola de Pilotos de Testes da USAF, onde eram utilizadas para dar aprendizado aos futuros pilotos de teste sobre características específicas deste tipo de avião, ampliando o conhecimento dos aviadores sobre aeronaves distintas daquelas que eles já voaram. Estes três A-29 foram os primeiros e únicos aviões fabricados no Brasil a serem utilizados pelas forças armadas americanas.
Segundo informação apurada inicialmente pela revista Aviation Week e confirmada diretamente na USAF pelo AEROIN, a Sierra Nevada Corporation (SNC) ganhou um contrato para manter estocadas adequadamente as três aeronaves Super Tucano que estavam na escola de pilotos de testes.
O contrato afirma que “são três aviões selados A-29 Super Tucano, atualmente estocados em Edwards e que não devem retornar ao voo ou ser usados pela Força Aérea“, destacando que, apesar desta aposentadoria, é necessário um suporte técnico para “garantir as condições de um armazenamento seguro“.
A SNC é a parceira da Embraer para produção do Super Tucano nos EUA, com uma linha de montagem em Jacksonville, na Flórida. As aeronaves ali montadas vieram em kits produzidos em Gavião Peixoto (SP) e têm a parte final da fabricação feita nos EUA visando à exportação para países aliados através do programa de vendas militares FMS.
Estas três unidades em específico foram utilizadas pelo Pentágono para avaliação de uma aeronave leve de suporte às forças especiais, mas, no final, o contrato foi vencido pela L3 Harris, com uma versão de ataque do avião agrícola Air Tractor AT-802.
Como os aviões foram comprados pelos EUA e estavam sem voar, a Escola de Pilotos de Testes fez um requerimento formal para transferência dos turboélices e começou a voá-los no ano passado, sendo que um deles recebeu uma pintura comemorativa alusiva a um esquadrão de P-51 Mustang da Segunda Guerra Mundial, conflito em que EUA e Brasil lutaram lado a lado para derrotar o nazifascismo.
O contrato com a SNC visa prevenir e corrigir defeitos que causem vazamentos de fluidos nas aeronaves, à troca de pneus furados e ao transporte entre instalações internas de Edwards. O Pentágono destaca ainda que “nada nestes termos deve ser interpretado como requerimento para trazer as aeronaves para condição de voo, restauração ou certificação de voo“.
Ainda não está claro o motivo de as aeronaves ficarem estocadas em Edwards e não serem transferidas para o Cemitério de Aviões no Arizona ou desmontadas por completo, ou até vendidas.
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