
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) realizou, entre 30 de setembro e 2 de outubro, um workshop sobre a Ativação da Rede Operacional Mínima (MON) em cenários de interferência no Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS).
Na abertura do evento, o chefe do Subdepartamento de Operações do DECEA, Brigadeiro do Ar Alexander Santopietro de Sousa, deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou a importância da iniciativa para a segurança da navegação aérea.
“A participação ativa e colaborativa de todos os stakeholders é muito importante e contribui para a manutenção da segurança e da excelência da aviação no Brasil. O segmento espacial para a aviação é fundamental, mas, ao mesmo tempo, precisamos de uma resiliência da navegação aérea e estamos investindo em outras tecnologias para ter como alternativa no caso de uma interferência no GNSS”, afirmou o oficial-general.
A Rede Operacional Mínima reúne os recursos de navegação aérea necessários para garantir a continuidade das operações em situações de degradação ou indisponibilidade do GNSS. Sua implementação exige planejamento integrado dos procedimentos de voo, dos auxílios à navegação e da atuação dos órgãos de controle de tráfego aéreo.
O conceito foi detalhado pelo chefe da Subdivisão de Planejamento ATM do Subdepartamento de Operações do DECEA, Tenente-Coronel Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Sergio Kebach Martins, que destacou a necessidade de coordenar esses diferentes elementos para manter as capacidades operacionais.
Realizado em formato híbrido, no auditório do Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA), no Rio de Janeiro, o workshop reuniu representantes da indústria aeronáutica, de órgãos reguladores e de organizações operacionais. A programação incluiu debates sobre os efeitos das interferências nos sinais GNSS e um exercício prático para identificar medidas capazes de preservar a segurança e a eficiência do tráfego aéreo.
Ao longo dos três dias, foram apresentados painéis sobre os impactos operacionais em voo, a experiência da indústria, os critérios regulatórios, o monitoramento de interferências e o planejamento de contingência. Também foi realizado um exercício simulado de ativação da Rede MON em uma operação entre os aeroportos de Guarulhos (SP) e Brasília (DF).
Nos dois primeiros dias, as discussões abordaram os efeitos das interferências GNSS na cabine de comando, o comportamento dos sistemas embarcados e a contribuição da infraestrutura e dos procedimentos terrestres para a continuidade das operações.
O Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) apresentou sua experiência em voos utilizando cartas MON, além de um panorama das atividades de radiomonitoragem. O ICA, por sua vez, compartilhou estudos sobre procedimentos de aproximação por instrumentos (IAC) com múltiplos equipamentos DME, desenvolvidos no contexto das discussões da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
A programação também contemplou as diretrizes estratégicas de contingência, o planejamento da Rede MON e os procedimentos para seu acionamento em situações reais. Outro tema discutido foi a padronização dos critérios e dos fluxos para a emissão de NOTAM em casos de interferência de radiofrequência nos sinais GNSS.
Os órgãos reguladores trataram ainda de questões relacionadas à aeronavegabilidade e às limitações dos sistemas de navegação inercial em operações de Navegação Baseada em Performance (PBN), além das estratégias de monitoramento de interferências. A companhia aérea LATAM também apresentou sua perspectiva sobre a percepção dos pilotos na cabine de comando durante episódios de interferência de radiofrequência nos sinais GNSS (RFI GNSS).
No encerramento, durante o debriefing, a Capitão Especialista em Comunicações Monique Garcia Velten, do Subdepartamento de Operações do DECEA, ressaltou o papel da rede como mecanismo de contingência para a navegação aérea.
“A Rede MON representa uma resposta sistêmica, coordenada e previamente planejada para preservar capacidades operacionais selecionadas durante uma degradação GNSS”, concluiu.
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