
A American Airlines confirmou que está próxima de escolher um novo jato de grande porte e pode voltar a utilizar aeronaves Airbus, quebrando novamente o monopólio da Boeing na sua frota widebody.
A empresa americana operava até a pandemia algumas dezenas de jatos A330-200 e A330-300, todos herdados da US Airways, que inclusive os utilizava nos voos para o Brasil. Porém, a empresa decidiu aposentar as aeronaves, acreditando em simplificação de frota e também que o mercado internacional não se recuperaria tão rápido.
Porém, os números já voltaram ao patamar pré-pandemia para a maioria das nações e regiões do globo, e, enquanto as concorrentes Delta e United têm se adiantado e possuem ao menos quatro vezes mais aeronaves de dois corredores (widebody) encomendadas, a American ainda está se decidindo, mas isso deve ser concluído em breve.
Executivos da empresa afirmaram esta semana à FlightGlobal que a empresa já tem um número-alvo de aviões a serem encomendados: 65, entre pedidos firmes e opções de compra, somando tanto encomendas que possam vir da Airbus e/ou da Boeing.
A menção explícita à fabricante europeia dá um indicativo de que a empresa quer sair do monopólio na frota widebody, que hoje é exclusivamente de jatos Boeing 787-8 e -9 Dreamliner, além dos mais antigos 777-200ER (principal alvo de substituição desta compra) e dos maiores 777-300ER.
Também existem indícios de que a empresa quer aeronaves não tão grandes, o que deixaria o A350XWB e o 777X de fora da disputa, também pelo fato de que os primeiros aviões desta encomenda deverão chegar em 2030 em diante, um prazo totalmente irrealístico, dada a fila de entrega destes dois jatos.
Desta maneira, sobram apenas os A330neo e o 787, sendo que este último é uma opção óbvia por já estar na frota da empresa, mas que não deve contar com a versão -10, de maior porte que as atuais da American e utilizada hoje nos EUA apenas pela United, como aponta o portal One Mile at a Time.

Segundo a análise, hoje a United tem o jato como seu maior modelo e não pretende ir para um avião maior, tanto que recusou os 777X rejeitados pela Emirates. Outra evidência neste sentido é exatamente as rotas do 787-10: concentrado a partir de Chicago para mercados já consolidados e com maior demanda premium, ao contrário do que o 787-8 foi na empresa e também na American, abrindo várias novas rotas antes inviáveis com o 767 e o 777. A Delta deve seguir o mesmo e colocar os 787-10 em rotas para a Europa e América Latina.
Desta maneira, o A330-900neo se destaca, por ser mais barato que os Dreamliners e ter praticamente a mesma capacidade de assentos que o 787-10, além de conseguir ser entregue mais rápido. Pesa contra o Airbus o fato de ter um consumo um pouco mais elevado e o alcance um pouco menor, mas isso não seria um problema, já que a American não deu indicativos de expandir a malha para a Ásia e Oceania, que nunca foi o foco da empresa.
O One Mile at a Time também nota que o Diretor Comercial da American trabalhou na Delta por 10 anos, sendo vice-presidente de frotas, e, durante seu período na concorrente, o A330neo foi escolhido, e a empresa está satisfeita com o equipamento.
Uma data para a escolha não foi definida, mas provavelmente ocorrerá ainda neste ano de 2026, também visando atingir a meta de entregas a partir de 2030.





