Anthropic afirma que sua IA foi usada em projeto de guerra eletrônica com referência a caças chineses e Taiwan

Foto: Ministério da Defesa da República Popular da China

A Anthropic informou ter identificado e interrompido o uso de sua inteligência artificial Claude por um pesquisador sediado na China para desenvolver um sistema de guerra eletrônica e supressão de defesas aéreas. Segundo a empresa, o projeto passou a incluir um cenário de simulação com 12 alvos em Taiwan durante seu desenvolvimento.

O caso, identificado como GTG-17002, integra o relatório de setembro de 2026 da companhia sobre uso indevido de inteligência artificial. A publicação reúne atividades que a Anthropic afirma ter interrompido entre dezembro de 2025 e agosto de 2026.

De acordo com o comunicado, o responsável utilizou ferramentas de conversação, programação e execução de tarefas do Claude para criar um conjunto de aproximadamente 16 módulos, em chinês. O software passou por 12 versões, com participação da IA no desenvolvimento da lógica de funcionamento e da interface.

O sistema analisava radares, posições de mísseis antiaéreos, postos de comando e estruturas de comunicação. Entre suas funções estavam estimar a cobertura de detecção, avaliar a eficácia de interferências eletrônicas e classificar alvos conforme seu valor e sua vulnerabilidade. A guerra eletrônica utiliza o espectro eletromagnético para detectar, bloquear ou enganar radares e comunicações.

A Anthropic relata que, no decorrer do projeto, o cenário padrão da simulação foi alterado para incluir instalações em Taiwan. A lista abrangia um abrigo subterrâneo de comando, um radar de alerta antecipado, baterias dos sistemas Patriot e Tien Kung, grandes bases aéreas e um quartel-general de comando regional.

O programa também simulava características de atuação de sistemas das classes Patriot e THAAD. Além do Claude, o responsável utilizava um modelo de IA hospedado em uma rede interna, conectado ao software por uma integração de ferramentas.

No gráfico fornecido com o comunicado, barras azuis representam alvos de defesa aérea do adversário, enquanto barras em rosa identificam plataformas de ataque do Exército de Libertação Popular, as forças armadas chinesas. O radar de controle de tiro Patriot aparece com o maior valor, 523, seguido pelos radares AN/TPS-117, com 300, e AN/TPS-75, com 298. A imagem, porém, não informa a unidade nem define a métrica utilizada, o que impede interpretar esses números como medidas de alcance, eficácia ou prioridade.

O gráfico também inclui o caça Shenyang J-16D, identificado como plataforma de interferência eletrônica de escolta do Exército de Libertação Popular. Sua presença situa a aeronave entre os meios militares representados no material sobre o projeto de guerra eletrônica e supressão de defesas aéreas inimigas, atividade conhecida pela sigla SEAD. O comunicado, contudo, não detalha uma eventual função de lançamento de armamentos nem confirma que as tecnologias desenvolvidas com auxílio do Claude tenham sido integradas à aeronave.

O J-16D é a versão de guerra eletrônica do J-16 Flanker-N padrão, que por sua vez é derivado da versão feita sob-licença do russo Sukhoi Su-27 e Su-30 MKK. Voltado para ataque ao solo, este avião possui bloqueadores de sinais e equipamentos para interferir nos radares inimigos, em função similar à feita pelo Boeing EA-18G Growler na Marinha dos EUA.

A empresa avalia que o responsável atuava em pesquisa ligada à defesa e à indústria militar chinesa. Segundo a Anthropic, metadados das contas e conteúdos sinalizados por seus mecanismos de proteção indicavam vínculos com instituições de pesquisa da China, entre elas a Academia de Ciências Militares do Exército de Libertação Popular.

A companhia afirma ter banido as contas associadas ao caso e incorporado os resultados da investigação aos seus mecanismos de proteção. O material fornecido descreve o desenvolvimento de software e simulações, mas não apresenta evidências de emprego do sistema em operações militares reais até o momento.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

Veja outras histórias

Aeroporto de Viracopos terá 548 voos extras da Azul durante a...

0
Em todo o país, a Azul terá cerca de 2,5 mil voos extras, com oferta de 370 mil assentos adicionais, para atender à maior demanda por