Após 86 anos de voos, South African Airways está a um passo de ser fechada

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As asas da South African Airways (SAA), a companhia aérea estatal sul-africana estão prestes a ser cortadas após 86 anos de operações, abrindo o caminho para uma nova companhia aérea no país.

Ao que tudo indica, o caminho da SAA deve ser mesmo a liquidação, conforme havíamos antecipado aqui há dez dias. Segundo os resultados de uma reunião ocorrida nesta terça-feira (28) entre os sindicatos e o National Transportation Movement (NTM), há uma indicação clara de que a companhia aérea deve encontrar seu fim para dar lugar a uma outra empresa.

Nos termos do acordo, o governo obterá financiamento de $2,2 bilhões de rands para os pacotes de indenizações dos colaboradores em uma decisão que resultará na rescisão de todos os contratos dos 4.700 funcionários da SAA. No entanto, ficou acertado que os funcionários atuais da companhia aérea terão preferência pelo emprego na nova empresa.

Segundo o SABCNews, o presidente do NTM, Mashudu Raphetha, disse que “é um dia muito triste para toda a República ver a SAA ser encerrada, e que agora testemunharemos o surgimento da nova companhia aérea”.

Apesar da resposta clara do MTN, o Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da África do Sul (Numsa) e a Associação Sul-Africana de Tripulantes de Cabine (Sacca) deram uma versão um pouco diferente, como se as negociações com o governo sobre o futuro da SAA estivessem progredindo bem.

Mas essa esperança se baseia no fato de que a empresa já passou por muitos momentos difíceis e que sempre ressurgiu das cinzas. Agora, no entanto, parece que a decisão será a mais dura possível para a octogenária empresa aérea.

Fundo do poço

A companhia aérea está fortemente endividada e o bloqueio de viagens imposto pela Covid-19 em março resultou numa perda substancial de receita. Os profissionais responsáveis pelo resgate da empresa disseram aos sindicatos na semana passada que a companhia aérea não poderia cobrir suas despesas até o final de abril.

Eles disseram que a SAA teria que vender alguns de seus ativos – o que levaria pelo menos seis a oito meses – para poder pagar os pacotes de indenização. Por conta disso, o governo abriu uma linha de crédito para que possa compensar os funcionários, os quais precisam assinar seus contratos de rescisão até o final desse mês.

Detalhes sobre a nova companhia aérea proposta não foram revelados, mas entende-se que um parceiro de patrimônio será contratado.

86 anos de história

A South African Airways não faz voos regulares desde o dia 27 de março, quando o governo sul-africano impôs um forte isolamento ao proibir voos domésticos e internacionais, e até viagens de ônibus. Desde então, a companhia aérea só tem feito voos fretados para a repatriação de passageiros e para levar carga. Inclusive, um dos voos foi a rota Cidade do Cabo – São Paulo, fretado pelo governo brasileiro.

A empresa foi fundada em fevereiro de 1934 e, por praticamente toda sua história de 84 anos, foi a maior e principal empresa aérea da África. Tendo operado diversos jatos icônicos, como o Jumbo Boeing 747 e o DH Comet, a empresa atualmente conta com uma frota de jatos Airbus para passageiros e Boeings para cargueiros.

Desde 2011, a estatal não apresentava lucro e, nos últimos 12 meses, passava por sua pior crise, que levou a colocar à venda alguns jatos Airbus A340 e também suspender os voos para o Brasil antes mesmo da pandemia, após mais de 50 anos voando para nosso país de maneira ininterrupta.

O coronavírus foi apenas o “tiro de misericórdia” na companhia, que antes da crise operava somente a ponte aérea Joanesburgo – Cidade do Cabo, além de voos internacionais para Nova Iorque, Frankfurt, Londres, Perth e Washington D.C.

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Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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