Apresentado o drone autônomo de rotor basculante projetado para combater ao lado do AH-64 Apache

Imagem: Anduril

Farnborough, Reino Unido – No Farnborough Airshow 2026, a Anduril Industries e a Archer Aviation apresentaram o Thunder, um novo drone de ataque autônomo de rotor basculante do Grupo 5, desenvolvido para operar tanto em conjunto com helicópteros de ataque tripulados quanto de forma totalmente independente.

O sistema faz parte de uma plataforma compartilhada de dupla utilização criada pelas duas empresas, cuja versão comercial será denominada Halo, combinando as economias de escala do mercado civil com os requisitos específicos das operações militares.

A iniciativa reflete uma das transformações doutrinárias mais significativas em curso na aviação de asas rotativas, informou o Aviacionline. As lições extraídas da guerra na Ucrânia, onde a proliferação de drones, munições de precisão e sistemas persistentes de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) ampliou significativamente a vulnerabilidade dos helicópteros de ataque, estão impulsionando o desenvolvimento de aeronaves não tripuladas capazes de assumir as missões mais arriscadas no campo de batalha.

Segundo a Anduril, o Thunder foi concebido para atuar nesse novo cenário, marcado por um espaço aéreo de baixa altitude altamente disputado, no qual a sobrevivência depende da combinação de velocidade, autonomia, alcance e capacidade de concentrar poder de combate sem expor as tripulações.

O Thunder representa a versão militar de uma plataforma VTOL autônoma de dupla finalidade desenvolvida em parceria entre a Anduril e a Archer Aviation. Sua contraparte comercial, batizada de Halo, utilizará a mesma arquitetura básica para missões civis de transporte, logística e resposta a emergências.

A aeronave emprega uma configuração de rotor basculante com capacidade de decolagem e pouso vertical (VTOL), reunindo a flexibilidade operacional de um helicóptero com a eficiência aerodinâmica de um avião durante o voo de cruzeiro.

O projeto incorpora um sistema de propulsão híbrido-elétrico em série e rotores basculantes de velocidade variável (Optimum-Speed Tiltrotors), solução desenvolvida para otimizar o consumo de combustível, ampliar o alcance e reduzir o nível de ruído em voos de baixa altitude.

De acordo com as empresas, essa arquitetura permitirá a fabricação da plataforma utilizando cadeias de suprimentos já consolidadas na indústria de eVTOLs, reduzindo custos e facilitando a produção em larga escala.

Enquanto o Thunder será destinado ao mercado de defesa, o Halo será oferecido para missões civis como transporte de cargas, evacuação aeromédica, busca e salvamento, apoio a operações offshore e logística em regiões remotas.

Projetado para operar ao lado do Apache e das futuras aeronaves FVL – Em vez de substituir os helicópteros de ataque, o Thunder foi concebido para atuar como um multiplicador de força em formações mistas.

Sua arquitetura modular permite integrar diferentes tipos de armamentos e cargas úteis, incluindo mísseis ar-superfície como Hellfire, JAGM e Barracuda-100M, munições guiadas de precisão, foguetes de 70 mm, sistemas de guerra eletrônica, sensores ISR, recursos de combate a drones e até cargas logísticas.

Segundo a Anduril, o potencial ofensivo do Thunder poderá ser comparável ao de helicópteros de ataque pesados, como o AH-64 Apache.

A empresa afirma que três drones Thunder operando ao lado de um único AH-64 Apache permitiriam a uma Brigada de Aviação de Combate triplicar a quantidade de munições disponíveis sem aumentar o número de pilotos expostos ao combate, a um custo significativamente inferior ao da incorporação de novos helicópteros tripulados.

Outro diferencial destacado é a capacidade de operar de forma colaborativa por meio do software Lattice, responsável por coordenar formações, compartilhar informações táticas em tempo real, executar manobras autônomas e manter a operação mesmo em ambientes degradados por interferência de GPS ou guerra eletrônica, utilizando sensores, visão computacional e processamento embarcado.

Uma mudança de paradigma impulsionada pela guerra na Ucrânia – O desenvolvimento do Thunder também reflete a mudança de doutrina adotada pelo Exército dos Estados Unidos após o cancelamento, em 2024, do programa Future Attack Reconnaissance Aircraft (FARA).

Na ocasião, a força reconheceu que as experiências obtidas no conflito na Ucrânia demonstraram que muitas das missões previstas para um novo helicóptero de reconhecimento tripulado poderiam ser executadas de forma mais econômica, persistente e com menor risco por sistemas não tripulados e recursos espaciais.

Desde então, a indústria norte-americana acelerou o desenvolvimento de plataformas autônomas destinadas a operar em conjunto com aeronaves tripuladas, tendência também observada em iniciativas como o programa Collaborative Combat Aircraft (CCA) da Força Aérea dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o Thunder leva esse conceito de colaboração homem-máquina para a aviação de asas rotativas, apostando em grandes drones capazes de penetrar em espaços aéreos fortemente defendidos, executar missões de alto risco e ampliar significativamente o poder de fogo das forças terrestres.

A Anduril informou que diversos voos de teste já foram realizados com aeronaves substitutas em escala real para validar a arquitetura do sistema. O primeiro voo do protótipo do Thunder está previsto para 2027. Já a Archer anunciou que revelará, ainda nesta semana, os primeiros clientes comerciais da plataforma Halo.

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Com uma paixão pelo mundo aeronáutico, especialmente pela aviação militar, atua no ramo da fotografia profissional há 8 anos. Realizou diversos trabalhos para as Forças Armadas e na cobertura de eventos aéreos, contribuindo para a documentação e promoção desse campo.

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