
A ATR está testando no mercado americano a possibilidade de implementar uma porta de passageiros frontal e uma configuração de cabine com três classes para o ATR 72-600, além de adequações específicas para cumprir exigências regulatórias dos Estados Unidos. O objetivo é atrair mais clientes entre as companhias aéreas norte-americanas.
Chris Jones, diretor e presidente da ATR para as Américas, revelou em entrevista ao ATW durante o Farnborough Airshow que a porta frontal permitiria que o ATR 72 se conectasse a fingers (pontes de embarque) nos aeroportos dos EUA, garantindo maior compatibilidade com operações de grandes companhias.
Além disso, a ATR propõe uma cabine de 50 assentos com três classes, primeira classe, econômica premium e econômica, e uma cozinha frontal para o serviço de primeira classe. Essa configuração visa concorrer diretamente com o Bombardier/MHI RJ Aviation CRJ-450 (41 assentos, três classes) e CRJ550 (50 assentos, três classes), mantendo a capacidade dentro dos limites estabelecidos pelas cláusulas de escopo das companhias regionais americanas.
Jones afirmou que a cabine, que já conta com um mock-up em Toulouse, será apresentada em setembro na conferência anual da U.S. Regional Airline Association (RAA). O lançamento dependerá do interesse real do mercado.
A porta frontal oferece maior flexibilidade na cabine, mas a ATR também pode acomodar a configuração de três classes usando a porta traseira atual. Para competir diretamente com o CRJ450/550, a porta frontal é considerada a melhor opção.
Segundo Jones, a cabine tripla permitirá que as companhias aéreas estendam seus serviços premium a comunidades menores atendidas por operadores regionais, garantindo que o passageiro tenha uma experiência de primeira classe durante todo o trajeto, mesmo em aeronaves regionais.
A ATR estima que o ATR 72 de 50 lugares terá custos operacionais 30% menores que o CRJ450 e 45% inferiores ao CRJ550.
Para operar nos EUA, a ATR terá que implementar proteções secundárias obrigatórias na porta da cabine de comando e um gravador de voz de cabine com capacidade para 25 horas (CVR25). Essas normas aplicam-se a novas aeronaves que entram em operação no país, motivo pelo qual a ATR ainda não possui aviões que atendam a esses requisitos em serviço ativo.

