
A Boeing obteve uma importante vitória judicial na última quinta-feira (13), quando a Corte de Chancelaria de Delaware rejeitou uma ação movida por acionistas que pretendiam responsabilizar membros atuais e antigos do conselho de administração e da alta direção por falhas relacionadas à segurança e à fabricação do programa 737 MAX.
A ação estava ligada, entre outros episódios, ao incidente de janeiro de 2024, em que um painel conhecido como door plug se desprendeu durante voo de um 737 MAX 9 da Alaska Airlines, episódio que, embora sem vítimas, evidenciou problemas de qualidade na produção e gerou nova crise regulatória à Boeing.
A vice-chanceler Morgan Zurn concluiu que os acionistas não demonstraram que os diretores agiram de má-fé ou deixaram de cumprir adequadamente suas funções de supervisão, requisito essencial para responsabilização judicial neste tipo de processo.
Apesar da decisão favorável à Boeing, o julgamento não nega a existência dos problemas enfrentados pela fabricante, que ainda responde a diversas ações judiciais, regulatórias e financeiras decorrentes dos acidentes fatais do 737 MAX em 2018 e 2019, que causaram 346 mortes e levaram à suspensão global do modelo.
Os episódios e investigações posteriores revelaram falhas na cultura de segurança e nos processos industriais da Boeing, resultando em mudanças na liderança e reforço da fiscalização da FAA.
O incidente de 2024 com o door plug reacendeu debates sobre a qualidade da fabricação, levando a suspensão temporária de 171 aeronaves 737 MAX 9 com a mesma configuração.
A decisão da Corte destaca que problemas corporativos não implicam necessariamente responsabilidade pessoal dos administradores, salvo comprovação de má-fé ou descumprimento grave dos deveres fiduciários.





