Boeings 737 parados terão inspeção de emergência para evitar falha de motor

Avião Boeing 737 Southwest
Boeing 737-800 da Southwest em Los Angeles

A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), ordenou que todos os Boeings 737 parados devido à pandemia passem por uma inspeção de emergência para evitar novos casos de falha de motor em voo. Segundo a Diretriz de Emergência 2020-16-51, quatro casos recentes de falha do motor no Boeing 737 estavam associados ao longo período sem voos das aeronaves.

A FAA informou que os modelos afetados são das Séries Classic (737-300, -400 e -500), os da série Next Generation (600, -700, -700C, -800, -900 e -900ER).

Estes aviões estão equipados com motores CFM56-3 e 56-7 respectivamente, e durante o voo, a válvula de sangria do 5º estágio de compressão do ar estaria ficando aberta e travada.

A válvula de sangria tem o nome técnico de bleed air e retira ar do motor para pressurizar a aeronave, assim como ar para o sistema de ar-condicionado. É uma válvula que fica no meio do motor, no caso no 5º estágio de compressão, e retira o ar por um duto que segue para os respectivos sistemas.

O problema ocorre na descida da aeronave, quando o jato mantém a válvula aberta após a fase de cruzeiro, o que não deveria acontecer. Neste caso, a válvula aberta causa uma espécie de “distorção” ou sucção completa do ar comprimido pelo motor em “baixa rotação” que ocasiona o chamado estol de compressor.

Neste caso o estol é tão grave que não é possível religar o motor. A trava desta válvula seria causada pela corrosão devido a estocagem de longo prazo destas aeronaves. Caso as válvulas de ambos os motores travassem no mesmo momento, o avião perderia os dois motores e teria que realizar um pouso de emergência fora do aeroporto, contando apenas com a razão de planeio.

A inspeção

CFM56-7 em Boeing 737 da GOL © Boeing Company

A FAA ordena que todos os jatos que estão estocados ou que fizeram menos de 10 ciclos (um ciclo é uma pressurização e uma despressurização em um voo normal) desde que voltaram à ativa, devem passar por esta inspeção. Dentre os requisitos para está rodar o divisor de ar com a mão pelo menos três vezes, checando se ele está livre e gira normalmente. Outra medida é medir se a distância entre as dobradiças da válvula está dentro do padrão. Por último e não menos importante, é verificar sinais de rachaduras, corrosões e anormalidades na área da válvula de sangria.

Caso seja detectado algum problemas durante esta inspeção de emergência, a válvula e os componentes afetados devem ser trocados.

Caso esteja em um local remoto e sem possibilidade de troca, está autorizado a voar com uma válvula de sangria inoperante e travada na posição fechada. Neste caso, após cinco ciclos será necessária fazer novamente a inspeção descrita acima.

A Diretriz de Emergência está direcionado para todos os operadores de 737 Classic e Next Generation nos EUA e para a própria Boeing. A fabricante ao adotar esta diretriz torna a inspeção obrigatória para todos os operadores no mundo.

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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