Com casal nos comandos, Airbus A319 é enviado à Antártica para resgate médico a -43 °C

Foto: Skytraders

Um Airbus A319 civil australiano realizou uma rara missão de evacuação médica na Antártida durante o inverno, em uma operação conduzida sob escuridão praticamente total e temperaturas próximas de -43 °C.

A aeronave foi enviada à Estação McMurdo, base administrada pelo Programa Antártico dos Estados Unidos, para retirar um paciente americano em estado grave que precisava de atendimento médico além da capacidade disponível no local.

O A319 da Skytraders chamado Snowbird 1 e de matrícula VH-VHD, partiu de Hobart, na Tasmânia, em 31 de julho, após as autoridades americanas solicitarem a evacuação de emergência. A missão envolveu os programas antárticos de três países: a Austrália disponibilizou a aeronave e a tripulação, os Estados Unidos coordenaram a operação e a Nova Zelândia forneceu apoio para o atendimento ao paciente.

O voo até a Antártida durou aproximadamente cinco horas e meia e foi realizado em condições extremas. No momento da chegada, a temperatura estava próxima de -43 °C e próximo do limite operacional do A319.

Apesar do avião voar constantemente em temperaturas próximas destas ou até mais frias, a aeronave está em funcionamento pleno e em movimento, enquanto em solo ela está parada, despressurizada e com componentes expostos. Além do frio intenso, a tripulação enfrentou a ausência completa de luz solar, já que a região permanece em plena escuridão durante o inverno antártico. No Polo Sul, o Sol se pôs em março e só volta a aparecer em setembro.

Foto: Skytraders

A operação também apresentou uma característica incomum para esse tipo de missão. Evacuações médicas realizadas durante o inverno antártico normalmente utilizam aeronaves militares, como o Lockheed C-130 Hércules. De acordo com a copiloto da missão, Louise Robertson, uma operação com um Airbus A319, durante a escuridão e sob temperaturas tão baixas, provavelmente nunca havia sido realizada anteriormente.

A primeira tentativa de realizar o resgate ocorreu em 29 de julho, mas precisou ser cancelada devido às condições meteorológicas. Dois dias depois, a equipe conseguiu executar o voo até o campo de aviação Phoenix, cuja pista é preparada sobre neve compactada.

Entre os quatro pilotos envolvidos na missão estavam Rod e Louise Robertson, um casal que está casado há 18 anos. Os dois ocuparam os assentos da cockpit durante o pouso em McMurdo. Rod ficou no assento esquerdo e foi responsável por conduzir a aproximação e o pouso da aeronave, enquanto Louise permaneceu no assento direito como copiloto.

Em entrevista à BBC, Louise classificou a operação como a missão mais complexa da qual já participou. Ela também destacou o trabalho das equipes em solo, responsáveis pela preparação dos cerca de três quilômetros de pista de neve em meio ao frio e aos ventos intensos.

Após o pouso, o paciente foi transferido para a aeronave e levado no mesmo dia para Christchurch, na Nova Zelândia. O americano posteriormente apresentou evolução positiva e está se recuperando.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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