Com operações suspensas, Total Linhas Aéreas começa a devolver aviões para reduzir custos

Divulgação: SJK Airport

A Total Linhas Aéreas está começando a devolver aeronaves para poder lidar com as consequências de estar com suas operações suspensas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A companhia informou hoje ao AEROIN que continua trabalhando para que as operações possam ser retomadas o mais breve possivel e, nesse cenario desafiador pelo qual está passando, terá que devolver inicialmente uma das aeronaves, o Boeing 737-400F de matrícula PS-TLG.

Além desse avião, a empresa trabalha com a possibilidade de devolução de mais um exemplar ainda este ano. O intuito é reduzir os custos de leasing (arrendamento) de aeronaves, para aliviar o caixa.

Como reportado pelo AEROIN, em agosto a Anac restringiu que a Total Linhas Aéreas aumentasse suas operações. No processo, a apuração é tratada pela GSEF, que é a Gerência de AVSEC (segurança contra atos de interferência ilícita) e Facilitação, um setor da Superintendência de Infraestrutura Aeroportuária que cuida da segurança contra atos ilícitos e da facilitação dos processos nos aeroportos, como regras para credenciamento de pessoal e controle de acesso, tanto para o operador aéreo como para operador aeroportuário.

Depois, no início deste mês de setembro, a agência determinou a suspensão integral e por prazo indeterminado das operações da Total. A retomada das operações dependerá da comprovação de que foram superadas as condições de risco e as não conformidades em aberto identificadas pelas Superintendências de Padrões Operacionais e de Infraestrutura Aeroportuária.

Entre os pontos mencionados pela Anac estão falhas classificadas como de nível crítico e nível alto, relacionadas à aeronavegabilidade continuada, aos sistemas e procedimentos de segurança operacional e à segurança da aviação civil contra atos de interferência ilícita.

A companhia também deverá recompor seu quadro de administração de acordo com as exigências previstas no Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) nº 119. Os gestores indicados ainda precisarão ser validados pela Superintendência de Padrões Operacionais da Anac.

Outro requisito estabelecido pela agência é a demonstração da efetividade do Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO) e do Sistema de Análise e Supervisão Continuada (SASC), de forma a garantir um nível de segurança considerado aceitável.

A decisão determina ainda a regularização dos controles de aeronavegabilidade continuada das aeronaves da empresa, além da adequação dos processos internos utilizados para identificar, reportar e tratar eventos e riscos operacionais.

Por fim, a Total deverá ser submetida a auditorias e outros instrumentos de fiscalização conduzidos pelas unidades competentes da agência. Somente resultados considerados satisfatórios poderão permitir a retomada das operações.

Murilo Basseto
Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e com Pós-Graduação em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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