
A Embraer está colaborando com um operador não identificado do avião de ataque leve A-29 Super Tucano para integrar uma nova capacidade de combate a sistemas aéreos não tripulados (C-UAS) à aeronave.
A informação foi divulgada por Frederico Lemos, diretor comercial da divisão de Defesa & Segurança da Embraer, durante a conferência da Air & Space Forces Association nos Estados Unidos.
O operador em questão já utiliza o A-29 em suas forças aéreas, mas sua identidade permanece confidencial até o momento. O programa de modernização busca transformar o Super Tucano em uma plataforma especializada para interceptação de drones, ampliando seu espectro de missões além do tradicional emprego em apoio aéreo aproximado, reconhecimento e patrulhamento.
A solução C-UAS contará com a integração de equipamentos já existentes no A-29, como sensores eletro-ópticos/infravermelhos (EO/IR), datalinks para compartilhamento de informações, sistemas de rastreamento, designação a laser, foguetes guiados a laser e metralhadoras calibre .50 instaladas nas asas.
Além disso, a Embraer anunciou meses atrás parceria com a empresa americana Valkyrie Aero para incorporar o sistema Gunslinger, baseado em inteligência artificial, que auxilia na detecção, localização e engajamento de múltiplos drones durante as missões.
Segundo a Embraer, a velocidade relativamente baixa do turboélice pode ser vantajosa para enfrentar drones lentos e voando em baixas altitudes, situação em que caças a jato de alto desempenho podem ser menos eficientes e mais custosos. A combinação de armamentos permitirá flexibilidade na resposta conforme o tipo de ameaça aérea.
Além da capacidade C-UAS, a programada modernização do A-29 inclui o desenvolvimento de uma nova tela de grandes dimensões na cabine, vídeo datalink para melhor consciência situacional e gerenciamento de informações, além da possibilidade de emprego de tanques externos para ampliar o tempo de patrulha, recurso especialmente relevante para missões prolongadas contra drones.
O conceito está associado à evolução do modelo A-29NX, versão atualizada que incorpora novos sistemas de missão, sensores e conectividade mantendo a base do Super Tucano. Embraer prevê que a nova capacidade esteja operacional já no segundo semestre de 2026, após a conclusão dos testes em solo e voo da solução integrada.
Com mais de 600 mil horas de voo acumuladas e adotado por diversas forças aéreas, o Super Tucano se consolida como uma plataforma versátil e econômica para enfrentar ameaças aéreas menores.
A nova capacidade contra drones acrescenta uma função estratégica diante do crescente uso desses sistemas em ambientes de conflito, colocando o A-29 como uma camada intermediária de defesa acessível e eficiente.





