
Da saída do fabricante até uma farmácia ou hospital, os medicamentos podem percorrer longas distâncias antes de chegar ao paciente. Quando o transporte é feito por avião, a carga passa por diferentes etapas e precisa seguir cuidados específicos.
Nem todos os medicamentos exigem as mesmas condições de conservação. Por isso, cada produto deve ser transportado de acordo com as especificações determinadas pelo fabricante.
Garantir o cumprimento dessas condições envolve diferentes empresas de transporte e logística. Aeroportos e companhias aéreas participam da operação, ao lado de órgãos responsáveis pela aviação, pela saúde, pela vigilância sanitária e pela fiscalização das cargas.
Movimentação aérea – Antes de chegar à aeronave, o produto passa pelo Terminal de Carga Aérea (Teca), onde é recebido, movimentado, armazenado e preparado para o embarque.
Os medicamentos podem ser transportados em aviões cargueiros ou nos compartimentos destinados a cargas em aeronaves de passageiros. O local e a forma de acomodação dependem das características da mercadoria, do avião e das regras aplicáveis à operação. Alguns produtos podem seguir em condições de temperatura controlada, enquanto outros exigem cuidados específicos para evitar a exposição ao calor, ao frio ou a variações de temperatura.
Os insumos farmacêuticos que precisam de refrigeração são chamados de termolábeis. Nesses casos, o produto pode ser acondicionado em embalagens térmicas ou outros sistemas capazes de manter a temperatura indicada durante o percurso. Dependendo da operação, também podem ser utilizados espaços refrigerados nos terminais de carga, reduzindo o tempo de exposição fora das condições necessárias.
Medicamentos que contenham substâncias classificadas como artigos perigosos, por exemplo, estão sujeitos a regras específicas de embalagem, identificação, manuseio, carregamento e armazenamento a bordo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determina procedimentos próprios para esse tipo de remessa farmacêutica e estabelece restrições para seu transporte em aeronaves de passageiros.
O operador responsável pela aceitação do produto deve conferir as informações fornecidas pelo embarcador e identificar se a carga apresenta alguma característica que exija procedimento especial. A partir dessa avaliação, são definidos os cuidados necessários para que o medicamento seja levado até a aeronave e acomodado de forma segura.
Transporte de vacinas – No caso das vacinas, esse cuidado faz parte da chamada cadeia de frio. No Sistema Único de Saúde (SUS), a estrutura integra a Rede de Frio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável por garantir condições adequadas de conservação dos imunobiológicos desde o recebimento até a distribuição aos serviços de saúde.
A vacina precisa ser mantida nas condições adequadas em todas as etapas, desde a saída do fabricante ou centro de armazenamento, passando pelo deslocamento até o aeroporto, preparação da carga, embarque e voo, até a chegada ao destino e a distribuição para os locais onde será aplicada.
Cada órgão tem uma função – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece regras sanitárias para medicamentos e outros produtos sujeitos à vigilância sanitária. A instituição também regulamenta aspectos relacionados ao armazenamento, à distribuição e ao transporte desses produtos, além de fiscalizar empresas que atuam nessas atividades.
No transporte aéreo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também tem papel importante. O órgão estabelece regras para a operação aérea e o manuseio de cargas, incluindo os procedimentos aplicáveis quando determinados produtos são classificados como artigos perigosos.
Já o Ministério da Saúde tem atuação direta na organização da distribuição de vacinas do Programa Nacional de Imunizações. O órgão coordena a Rede de Frio nacional e trabalha em conjunto com estados e municípios para que os imunobiológicos sejam armazenados e distribuídos de forma adequada.
Quando a carga atravessa a fronteira brasileira, entra em cena também a Receita Federal, responsável pelo controle aduaneiro das mercadorias que entram e saem do país. No caso de medicamentos importados, esse processo ocorre em conjunto com os controles sanitários realizados pela Anvisa.
Planejamento e logística – Os terminais fazem parte de uma rede logística que movimenta produtos essenciais para diferentes setores da economia e, em situações específicas, para o atendimento à saúde da população.
No caso de produtos farmacêuticos, cada etapa precisa ser planejada para evitar que a carga fique exposta a condições que possam comprometer sua qualidade. Por isso, o transporte envolve procedimentos específicos de acondicionamento, armazenamento, movimentação e acompanhamento da carga.
Quando se trata de vacinas, esse planejamento ganha ainda mais importância, pois é preciso garantir que elas cheguem em condições adequadas para serem utilizadas. Existe uma cadeia de profissionais, empresas, aeroportos e órgãos públicos envolvidos no processo para que os materiais cheguem ao destino com segurança e qualidade preservadas.
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