Companhia aérea do Irã inicia manutenção inédita do tipo D, com duração de seis meses, em um Boeing 747 quarentão

Foto: Aeroprints/Wikimedia

A Iran Air está realizando uma ampla manutenção em seu único Boeing 747 cargueiro, com a execução simultânea de um cheque D e de uma inspeção associada à marca de 20 mil ciclos de voo. Segundo a companhia, esta última verificação está sendo realizada pela primeira vez no Irã.

O projeto reúne inspeções estruturais, modificações em componentes e revisão geral dos trens de pouso. A estimativa inicial é de que os trabalhos na aeronave de matrícula EP-ICD durem pelo menos seis meses, mas o prazo poderá aumentar conforme os resultados das avaliações.

Este Jumbo foi fabricado em 1988 para a holandesa Martinair, sendo uma aeronave do tipo Combi: já saiu de fábrica com uma porta de carga traseira, podendo levar passageiros e cargas no mesmo deck principal, simultaneamente. Dois anos depois todos os assentos foram retirados e se tornou um cargueiro puro, passando por outras companhias aéreas até chegar no Irã em 2008, onde voa desde então.

As atividades começaram no dia 6 do mês de Mehr, do calendário iraniano, e envolvem diferentes setores de engenharia e manutenção da empresa. A extensão do serviço exige coordenação entre as equipes responsáveis pelo planejamento, pela análise dos requisitos técnicos, pelo fornecimento de peças e pela execução dos trabalhos.

Entre as intervenções previstas está uma modificação no conjunto do estabilizador horizontal da cauda, identificado pela sigla THS. A Iran Air informou que adquiriu o kit necessário e que as ferramentas específicas para o serviço foram fabricadas internamente pelos profissionais de sua oficina mecânica, com base nas instruções e nos requisitos do fabricante.

O cargueiro também passa por trabalhos de reforço estrutural nas regiões de ligação dos trens de pouso à fuselagem. O programa inclui ensaios não destrutivos na seção estrutural denominada Section 41, procedimento que, segundo a empresa, também é inédito no país.

Outra frente contempla a inspeção não destrutiva de todas as uniões rebitadas do convés superior, além de verificações abrangentes na fuselagem. Os resultados dessas avaliações e das análises de controle de qualidade orientarão eventuais correções e a aprovação das diferentes etapas da manutenção.

Nos trens de pouso, a revisão geral inclui a substituição de componentes críticos e de peças com vida útil limitada, seguindo as instruções do fabricante. Os trabalhos contam com profissionais de mecânica e aviônica do hangar, além do apoio de oficinas especializadas. A equipe de aviônica é responsável pelas tarefas relacionadas aos sistemas eletrônicos da aeronave.

A companhia ressalta que a identificação de trincas, corrosão ou danos em componentes poderá exigir inspeções adicionais e reparos, prolongando a permanência do avião em manutenção.

Com a conclusão dos serviços e o cumprimento dos requisitos técnicos e de segurança, a Iran Air pretende devolver o Boeing 747 às operações de carga. Segundo a empresa, a aeronave desempenha um papel importante em sua malha, e a manutenção permitirá a continuidade de seus voos.

O check D é o mais longo e avançado feito numa aeronave comercial, sendo raramente executado já que demanda um longo período de tempo com o avião parado, e só é feito com um altíssimo número de horas de voo e/ou ciclos, sendo que muita das vezes a aeronave é aposentada antes de atingir este ponto da sua vida útil, ou mesmo é retirada de serviço para evitar o custo desta manutenção.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

Veja outras histórias