
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos afirmaram neste sábado (3) que o copiloto do voo FZ 1073 da Flydubai, Hamam al-Hammami, utilizou o machado de emergência do cockpit para atacar o comandante e tentou assumir o controle de um Boeing 737 MAX durante um voo entre Dubai e Tel Aviv, numa ação classificada oficialmente como tentativa de atentado terrorista.
O ataque ocorreu em 30 de setembro, quando o avião seguia com mais de 170 pessoas a bordo rumo a Israel. De acordo com a investigação, o copiloto iniciou o ataque no cockpit usando o “crash axe”, uma ferramenta de emergência padrão, contra o comandante Smit Machchhar, tentando feri-lo e tomar o comando da aeronave.
Após a agressão, a aeronave entrou em descida rápida, provocando pânico a bordo, mas a situação foi controlada graças à intervenção de outros pilotos, tripulantes e passageiros, que conseguiram conter o copiloto.
O comandante, mesmo ferido, abriu a porta do cockpit e recebeu ajuda para dominar o agressor. A aeronave conseguiu estabilizar o voo e foi desviada para um pouso de emergência no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita. O comandante e outros tripulantes receberam atendimento médico, e nenhum passageiro sofreu ferimentos graves. A embaixada da Índia relatou que o comandante se recupera bem.
A investigação revelou que Hamam al-Hammami, cidadão de Omã, já havia sido afastado de funções de voo na Oman Air por suspeitas de inclinações extremistas.
Segundo a Associated Press, após ser transferido para uma função administrativa na companhia omanense, o copiloto foi contratado pela Flydubai, apesar dessas preocupações, um ponto que está sendo apurado em detalhes. Também foi divulgado que ele realizou treinamento teórico na Royal Air Maroc em 2025, sem chegar a ser contratado.
O episódio levantou dúvidas sobre os procedimentos de verificação de histórico de pilotos em rotas com destino a Israel, especialmente no caso de tripulantes de países sem relações diplomáticas com o Estado israelense. As autoridades israelenses anunciaram a intenção de ampliar as checagens para todos os pilotos de voos internacionais para o país após o incidente.
O procurador-geral dos Emirados afirmou que a apuração continua, analisando evidências digitais e físicas do cockpit, para compreender a extensão do planejamento, a motivação do copiloto e possíveis vínculos externos.
Após o incidente, a Flydubai suspendeu temporariamente suas operações para Israel. A medida impactou centenas de passageiros e levou companhias e autoridades a revisar procedimentos de segurança.





