
A produção do novo Airbus A350F, versão cargueira da família A350, envolve uma complexa cadeia industrial distribuída por diferentes países. Embora a montagem final da aeronave esteja concentrada em Toulouse, na França, seus principais componentes são fabricados em diversas unidades da Airbus na Europa e também em instalações nos Estados Unidos.
Baseado na plataforma do A350-1000, o novo cargueiro é resultado de uma operação industrial que reúne fábricas localizadas nos quatro principais países de atuação da Airbus — França, Alemanha, Espanha e Reino Unido. Cada unidade é responsável por diferentes estruturas e sistemas da aeronave antes que os componentes sejam enviados à linha de montagem final.
Reino Unido produz as asas
No Reino Unido, as instalações de Filton e Broughton desempenham um papel importante na fabricação do A350F. Filton é responsável pelo desenvolvimento das asas e também pela produção do gear beam equipado, um componente estrutural relacionado ao trem de pouso.
Já em Broughton são fabricadas as enormes asas de fibra de carbono da família A350, uma das principais características da aeronave.
Espanha concentra componentes da fuselagem
A Espanha também participa de diferentes etapas da fabricação. O país produz a seção traseira da fuselagem, o estabilizador horizontal e a superfície inferior das asas.
A unidade espanhola também fabrica a carenagem inferior da aeronave e a grande porta de carga do convés principal do A350F, que possui aproximadamente 4,3 metros de largura.
A dimensão da porta é uma das características específicas da versão cargueira, desenvolvida para permitir o carregamento de grandes volumes diretamente no convés principal.
Alemanha participa da estrutura da aeronave
A Alemanha é responsável por uma parcela significativa da estrutura do novo cargueiro. As seções dianteira e traseira da fuselagem são produzidas pela Airbus Aerostructures nas unidades de Stade, Augsburg e Nordenham, antes de serem montadas em Hamburgo.
O país também produz o estabilizador vertical e as coberturas superiores das asas. Além disso, as instalações alemãs participam do processo de equipagem da fuselagem e das asas.
A estrutura ao redor da porta de carga do convés principal e seu sistema de acionamento também fazem parte da contribuição alemã para o A350F.
França recebe componentes e realiza a montagem final
Na França estão algumas das etapas mais importantes do processo. A unidade de Saint-Eloi, em Toulouse, produz os pilones dos motores, enquanto diferentes instalações da Airbus Atlantic fabricam estruturas que posteriormente serão incorporadas à aeronave.
Saint-Nazaire produz peças estruturais complexas, enquanto Rochefort é responsável pelo alojamento do trem de pouso principal. Em Nantes são produzidos a center wing box, as entradas de ar e a keel beam. Já a unidade de Méaulte fabrica a seção dianteira da fuselagem.
Em Montoir-de-Bretagne, as seções dianteira e central da fuselagem são entregues à linha de montagem final já equipadas e testadas.
É em Toulouse que todas essas estruturas finalmente são reunidas na linha de montagem final (Final Assembly Line, ou FAL) para dar origem ao A350F.
Uma cadeia que vai além da Europa
Apesar da concentração da produção nos quatro países europeus que formam a base industrial da Airbus, a cadeia de fabricação do A350F também se estende para outros locais.
A Airbus destaca que alguns dos painéis utilizados nas subseções da fuselagem são produzidos nos Estados Unidos, em instalações que passaram a integrar a estrutura da fabricante após a incorporação dos ativos da Spirit AeroSystems em 2025.
Com isso, a fabricação do A350F depende de uma extensa rede internacional de fornecedores e unidades industriais. Os componentes são posteriormente transportados até Toulouse por diferentes meios, incluindo navios, transporte terrestre e aeronaves.
Entre os meios utilizados está o BelugaXL, o famoso avião cargueiro da própria Airbus desenvolvido para transportar componentes de grandes dimensões entre as fábricas da empresa.
Assim, antes mesmo de realizar seu primeiro voo, cada A350F percorre uma verdadeira rota internacional. Suas principais estruturas são fabricadas em diferentes países e, depois, seguem para Toulouse, onde o grande quebra-cabeça industrial é finalmente montado.
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