Em raro movimento, Rússia suspende operações de companhia aérea por problemas de manutenção e segurança

Foto: Anna Zvereva

A Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia (Rosaviatsiya) revogou o certificado de operador aéreo da companhia regional Izhavia, com efeito a partir de 1º de agosto, após a empresa não conseguir solucionar deficiências de segurança identificadas durante inspeções regulatórias.

A decisão foi tomada após uma série de auditorias que encontraram irregularidades relacionadas à manutenção das aeronaves, ao planejamento das escalas das tripulações de voo e ao excesso de jornada de trabalho dos profissionais responsáveis pela área técnica. A Izhavia operava sob restrições desde abril e recebeu um prazo para implementar medidas corretivas, mas os órgãos reguladores concluíram que as falhas não foram solucionadas de forma adequada.

Com a revogação do certificado, a Izhavia suspenderá suas operações comerciais e interromperá a venda de passagens. A companhia já havia comercializado quase 46 mil bilhetes para viagens previstas até 1º de fevereiro de 2027. Os passageiros afetados serão acomodados em voos operados pela Aeroflot, S7 Airlines, Red Wings, Nordwind Airlines e outras companhias aéreas russas. A Izhavia operava atualmente com apenas dois jatos Boeing 737-800.

Sob a legislação russa atual, o certificado de operador aéreo revogado não pode ser restabelecido. Esta medida é a mais drástica a ser tomada por qualquer agência reguladora no mundo, mas causa surpresa já que a Rússia nunca manteve um bom histórico de segurança da aviação, que foi piorado após a segunda invasão da Ucrânia, com as sanções ocidentais interrompendo praticamente o fluxo de fornecimento de peças, e o próprio governo russo dando anuência para uso de componentes não certificados para a manutenção das aeronaves, comprometendo a segurança de voo.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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