
A Embraer mira o Leste Europeu como um dos principais polos para a expansão da aviação regional nas próximas décadas. Com a perspectiva de um mercado capaz de absorver 1.870 aeronaves de até 150 assentos nos próximos 20 anos, a fabricante brasileira enxerga oportunidades especialmente em rotas pouco exploradas, onde a oferta de voos diretos ainda é limitada ou inexistente.
A estratégia, detalhada pelo vice-presidente de Marketing para Europa, Oriente Médio e África, Jurjan Knol, aposta no fato de que muitas cidades da região não justificam a operação com aviões maiores, como os da família Airbus A320 ou Boeing 737, devido à demanda restrita.
Para a Embraer, jatos menores podem ligar essas cidades de forma eficiente, alimentar hubs regionais e viabilizar novas frequências, melhorando a conectividade sem gerar oferta excessiva.
De acordo com levantamento recente da Associação Europeia de Companhias Aéreas Regionais (ERAA), há cerca de 5.700 rotas de baixa densidade de passageiros no continente, das quais quase 80% são exclusivas de uma companhia aérea.
Esse cenário evidencia tanto a importância das ligações regionais para a malha europeia quanto a vulnerabilidade dessas rotas, que podem ser melhor exploradas com aeronaves otimizadas em capacidade.
A família E2 de E-Jets da Embraer, composta por modelos como o E195-E2 (até 146 passageiros) e o E190-E2, é parte central dessa aposta. Os jatos oferecem alcance e eficiência compatíveis com mercados de menor densidade, propondo uma solução intermediária entre os turboélices regionais e os grandes narrowbodies tradicionais.
Além do potencial para novos mercados, a fabricante ressalta que ajustar a frota à demanda facilita a abertura de rotas diretas e a ampliação de frequências, sem necessariamente depender apenas da substituição de aviões antigos.
A projeção europeia faz parte de um cenário global estimado pela Embraer de 10.500 aviões desse segmento nos próximos 20 anos, com valor potencial de US$ 680 bilhões.





