
A Emirates confirmou publicamente que não deverá receber os jatos 777X encomendados pela companhia aérea e que já foram parcialmente construídos, como aponta o seu CEO.
Durante a Feira de Farnborough 2026, o CEO da companhia árabe, Tim Clark, afirmou repetidamente que os jatos 777-9X que se encontram no Aeroporto de Everett, ao norte de Seattle, não irão para a Emirates.
Clark chegou a brincar, dizendo que os aviões “devem virar latas de feijão enlatado“, fazendo uma piada referente à forma comum de venda desse alimento no Reino Unido, onde a feira ocorre e também onde ele se graduou. Porém, depois o CEO reafirmou que realmente os dez primeiros aviões não serão aceitos pela empresa, como confirmou o jornal Seattle Times.
O motivo é simples: esses aviões foram construídos há algum tempo, tendo certo desgaste, mas, principalmente, foram feitos antes das modificações que a Boeing tem realizado no projeto 777X. Quando finalmente for homologado, com sete anos de atraso, o projeto final aceito pela FAA terá diferenças significativas em relação ao projeto que foi usado para a produção dessas aeronaves, sendo necessárias modificações estruturais (uma espécie de recall ou retrofit) antes de o jato ser entregue ao cliente.
Os contratos de compra e venda de aeronaves são feitos com vínculos relacionados à performance da aeronave, e não é tão incomum que empresas aéreas recusem aviões já prontos. A própria GOL fez isso recentemente com dois jatos 737 MAX 8 que não estavam voando conforme o contratado, enquanto a Atlas Air já recusou um Jumbo já pronto após ele apresentar uma capacidade de voo abaixo da contratada durante o voo de aceitação.
Das 10 aeronaves citadas por Clark, todas estão sem motores, sendo que algumas já receberam a pintura branca base, enquanto outras ainda estão no tom verde do primer. Os aviões possuem os números de série 61932, 61933, 61934, 61935, 61936, 61937, 61938, 61939, 61946 e 61950, com matrículas sequenciais de A6-EZA até A6-EZG, além dos registros A6-EZL, A6-EZM e A6-EZT.
Com esta decisão da Emirates, o futuro dessas aeronaves é incerto, sendo que elas podem ser repassadas para outros operadores imediatamente após a homologação do 777X ou serem estocadas até que surja um novo interessado. Em último caso, elas podem ser desmontadas, com o seu material sendo reciclado, o chamado termo “virar panela”, no caso sendo citado por Clark como lata de feijão. Inclusive isso já foi feito com um dos 777X da própria Emirates, o que seria o futuro A6-EZT:





