
A Europa passa hoje por uma nova onda de voos afetados e desviados por falsas ameaças de bomba, totalizando ao menos 18 aeronaves inspecionadas após as ameaças.
No segundo dia desta semana, após uma terça-feira caótica especialmente para a Ryanair, as novas ameaças continuam a focar na companhia aérea irlandesa e também na Itália, mas também afetam novas companhias aéreas.
Em levantamento feito pela BBC, ao menos 18 voos foram afetados, sendo um da Aegean de Tessalônica, na Grécia, para Milão, na Itália; um da Aer Lingus de Dublin, na Irlanda, para Roma que acabou sendo desviado para a base aérea de Evreux, a leste de Paris; dois da Finnair de Helsinque para Roma e Viena; dois da Wizz Air de Milão para Bucareste e Varsóvia; dois da LOT de Varsóvia para Bruxelas e Paris, sendo que este último não chegou a decolar.
A Ryanair, por sua vez, teve quatro voos afetados: um do Porto para Milão e três com destino a Sofia, na Bulgária, que partiram de Copenhague, Madri e Londres, sendo este último desviado para Plovdiv, na Bulgária.
O voo da Finnair de Helsinque para Roma foi escoltado por dois caças Eurofighter Typhoon da Aeronautica Militare até pousar em segurança na capital italiana.
Além destes 12 voos, as autoridades da República Checa afirmaram que receberam ameaças em quatro voos com destino a Praga, sendo dois da Easyjet, e que todos os voos foram inspecionados após o pouso em segurança.
Já a ENAIRE, autoridade espanhola de aviação civil responsável pelo tráfego aéreo, confirmou que outros dois voos com destino a Madri, além deste relatado da Ryanair, sendo um da Iberia partindo da Itália e outro da Air Europa de Madri para Paris, também receberam ameaças de bomba, que se provaram falsas após inspeções realizadas no Aeroporto de Barajas.
Até o momento, não está clara a origem de todas estas ameaças que têm chegado por e-mail às caixas das administradoras aeroportuárias e companhias aéreas, mas a suspeita de uma ação coordenada se reforça, com a teoria de ontem de grupos russos sendo confirmada parcialmente hoje.
Porém, parte das ameaças já foi rastreada, e um dos e-mails foi assinado pelo grupo Male State, que foi fundado em 2016 em Moscou e que defende ações contra o feminismo, exaltando o domínio masculino, valorizando o conceito de “raça pura”, além de defender bandeiras clássicas do ultranacionalismo, fascismo e nazismo, incluindo ações antissemitas e também antiucranianas, apoiando a invasão russa ao país vizinho em 2022.
Em e-mail enviado às autoridades italianas e obtido pela rádio britânica LBC, o grupo Male State fez ameaças contra o voo da Finnair de Helsinque para Roma e contra o da Aer Lingus de Dublin também com destino à capital italiana. Na mensagem, o grupo nacionalista afirma que “os céus ficarão vermelhos e o seu regime feminista irá lembrar disso para sempre“.
Um dos motivos de vários voos de/para a Itália e a Bulgária serem alvos pode estar relacionado aos valores extremistas defendidos por este grupo, já que a líder do governo italiano é uma mulher, a Giorgia Meloni, enquanto os búlgaros elegeram há poucos dias sua primeira presidente mulher: Iliana Iotova.





