Ex-CEO da Qantas reaparece para defender sua gestão na empresa aérea e promover sua autobiografia

Quase três anos após ser forçado a deixar o comando da Qantas devido a uma série de erros durante a pandemia de COVID-19, o ex-CEO da companhia aérea australiana, Alan Joyce, finalmente quebrou o silêncio.

Desde sua saída em setembro de 2023, quando parecia ter desaparecido da mídia, Joyce evitou entrevistas e contato com a imprensa. Agora, ele escolheu o programa “60 Minutes”, da televisão australiana, para se defender e divulgar seu novo livro de memórias.

Joyce, que liderou a Qantas por 15 anos e passou cinco anos à frente da subsidiária de baixo custo Jetstar, usou o livro para justificar suas decisões durante o período mais difícil da aviação mundial.

Ele relembra que, antes da pandemia, a empresa estava em sua melhor fase, com altos índices de satisfação dos clientes e rentabilidade consistente. “Eu pensava que seria uma forma perfeita de me aposentar”, disse o executivo. No entanto, o impacto da COVID-19 mudou radicalmente o cenário: “Foi o período mais horrível da minha carreira, porque tivemos que tomar decisões terríveis para garantir a sobrevivência da companhia.”

Entre as medidas controversas adotadas pela Qantas durante a crise estão a demissão ilegal de centenas de trabalhadores em solo, substituídos por prestadores de serviço mais baratos, e a redução significativa da força de trabalho, o que afetou a qualidade do atendimento. Além disso, a empresa aceitou reservas para voos que já haviam sido cancelados, frustrando muitos passageiros.

Joyce reconhece erros: “Acho que cometemos falhas, e eu seria o primeiro a admitir isso.” Mas defende que, apesar dos problemas, “a Qantas está sobrevivendo porque acertamos mais do que erramos.”

O ex-CEO afirma que acreditava na legalidade das demissões, embora admita que houve “oportunidade para decisões mais documentadas”. Ele também assume “responsabilidade total” pelo que ocorreu durante sua gestão.

A saída de Joyce da Qantas foi marcada por um generoso bônus de 21,4 milhões de dólares australianos, porém, em 2024, o conselho da empresa anunciou a retomada de 9,26 milhões, alegando que os erros de Joyce causaram “danos significativos à reputação e ao serviço ao cliente” da companhia.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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