
A família de um homem que morreu após ser sugado pelo motor de um avião da Delta Air Lines no Aeroporto Internacional de Salt Lake City, nos Estados Unidos, perdeu uma ação judicial contra a administração municipal. O processo alegava que a cidade não adotou medidas suficientes para evitar a morte, ocorrida em 1º de janeiro de 2024.
A vítima, Kyler Efinger, de 30 anos, estava no aeroporto para embarcar em um voo e visitar o avô, que estava doente. Durante a permanência no terminal, ele sofreu um episódio maníaco e conseguiu acessar a área operacional do aeroporto, restrita à circulação de aeronaves e funcionários autorizados.
Mesmo após a identificação de uma violação de segurança, as operações no pátio continuaram normalmente. Efinger correu em direção a um Airbus A220 da Delta Air Lines, que taxiava para a decolagem, e acabou sendo sugado pelo motor da aeronave.
Nos instantes anteriores ao acidente, os pilotos viram o homem se aproximando e tentaram desligar os motores. A ação, porém, não impediu a tragédia. Os cabelos longos de Efinger foram aspirados pelo motor, causando sua morte.
A família alegou que os funcionários do aeroporto tinham informações suficientes para perceber que o homem precisava de ajuda e que deveriam ter tomado providências para protegê-lo. Segundo o processo, imagens de câmeras de segurança mostraram que ele apresentava um comportamento cada vez mais incomum mais de uma hora antes do acidente.
Efinger foi visto caminhando e correndo pelas esteiras rolantes do terminal, inclusive no sentido contrário ao fluxo de passageiros. Em seguida, entrou em uma loja do aeroporto, onde comprou uma camisa esportiva por menos da metade do preço habitual. De acordo com os relatos apresentados no processo, o gerente reduziu o valor porque o comportamento do cliente era tão estranho que ele queria concluir a venda rapidamente.
Depois da compra, Efinger deixou uma bolsa no estabelecimento. Quando retornou para buscá-la, já estava sem os sapatos e aparentava estar agitado. Ele exigiu o reembolso da camisa e discutiu com o gerente sobre o desaparecimento de seus pertences.
O homem deixou a loja e, pouco depois, foi visto por funcionários da limpeza deitado de bruços sobre o corrimão de uma esteira rolante. Os trabalhadores também teriam observado Efinger tentando abrir as portas de diferentes portões de embarque.
Ele conseguiu abrir uma saída de emergência na área dos portões, que dava acesso à zona restrita do aeroporto. A partir desse momento, segundo a família, uma série de falhas na resposta das autoridades e na comunicação entre as equipes contribuiu para o desfecho.
A polícia foi informada sobre uma possível violação de segurança, mas os agentes que atenderam à ocorrência não receberam inicialmente a localização correta da porta utilizada por Efinger. Em determinado momento, foram informados de que a saída do portão A31 havia sido aberta, embora o homem tivesse acessado a área restrita pelo portão A4.
A identificação da porta correta levou cerca de dez minutos. Quando os policiais conseguiram esclarecer o ocorrido, Efinger já estava no pátio de aeronaves. Apesar da invasão, as operações continuaram, e os pilotos não haviam sido informados sobre a presença de uma pessoa não autorizada na área.
Por volta das 22h07, Efinger correu em direção a um Airbus A220 da Delta que havia recebido autorização para iniciar o táxi após passar pelo procedimento de degelo. O piloto acionou os motores e começou a movimentar a aeronave para deixar a área de degelo.
Ao perceber a aproximação do homem, o piloto desligou os motores. As pás, contudo, ainda giravam em alta velocidade. Efinger se aproximou da carenagem do motor, e seus cabelos foram sugados pela turbina.
Família apontou falhas na segurança do aeroporto
Na ação contra a cidade de Salt Lake City, responsável pela administração do aeroporto, os familiares de Efinger apresentaram uma série de alegações sobre as circunstâncias que antecederam a morte, informou o PYOK.
Entre os pontos levantados, a família afirmou que os funcionários demoraram a comunicar às autoridades o comportamento incomum do homem dentro do terminal. Também alegou que a saída de emergência utilizada por ele não contava com um mecanismo que atrasasse sua abertura nem com um sistema de alerta automático para informar os responsáveis pelo aeroporto.
Segundo o processo, Efinger conseguiu chegar à área externa por uma segunda porta que também não possuía controle de acesso. Os familiares sustentaram ainda que falhas de comunicação prejudicaram as buscas e que os controladores de tráfego aéreo e os pilotos não foram avisados sobre a invasão a tempo de evitar o acidente.
Apesar de aceitar como precisa a descrição dos acontecimentos apresentada pela família, a juíza Heather Brereton decidiu acolher o pedido da cidade para encerrar o processo.
A decisão se baseou no entendimento de que as obrigações de segurança do aeroporto eram direcionadas ao público em geral, e não especificamente a Efinger. Segundo a magistrada, os fatos apresentados não demonstraram a existência de uma relação especial entre a administração municipal e a vítima que justificasse uma exceção à chamada doutrina do dever público.
Esse princípio jurídico estabelece, em determinadas circunstâncias, que o poder público tem obrigações perante a coletividade, mas não necessariamente um dever individual de proteção que permita responsabilizá-lo judicialmente por um caso específico.
Com a rejeição definitiva da ação, a família não poderá apresentar novamente a mesma reclamação para tentar reverter o entendimento judicial.
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