
Nesta sexta-feira, 31 de julho, venceu o prazo esperado para a conclusão da auditoria interna da Flybondi, conforme reportado há duas semanas pela COC Global Enterprise e como salientou o Aviacionline.
O relatório deverá detalhar a situação financeira da companhia após meses de severas crises operacionais e econômicas, propondo uma reestruturação estrutural que pode incluir desde a adoção de uma nova identidade comercial até a reformulação do modelo de negócios da aérea, que acumula oito anos de operação na Argentina, ou 10, considerando que o nome Flybondi surgiu em outubro de 2016.
A data limite chega em meio a exigências governamentais de dois países. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do Brasil restringiu a venda de passagens para Florianópolis, Maceió e Salvador após o cancelamento de 79% dos voos programados neste mês.
A ANAC fixou o dia 3 de agosto para que a empresa regularize suas operações ou terá a comercialização da rota Buenos Aires–Rio de Janeiro suspensa. Na Argentina, o Ministério dos Transportes exigiu a apresentação de um plano de ação por escrito que comprove a coerência entre a frota ativa e os bilhetes vendidos.
A crise operacional paralisou a frota por quase duas semanas no início do mês. Os voos foram retomados em 14 de julho, após renegociações de dívidas com fornecedores de combustível e cancelamento de faturas de manutenção, permitindo que parte dos aviões voltasse a operar.
Apesar disso, a empresa mantém obrigações financeiras pendentes com ANAC, Empresa Argentina de Navegação Aérea (EANA), Intercargo, além de contratos de leasing e multas em órgãos de defesa do consumidor em várias províncias.
Nos últimos dias, a crise interna ganhou novas dimensões. Após anunciar um aporte de US$ 70 milhões para evitar o fechamento, a nova administração afastou a liderança anterior, comandada pelo ex-CEO Mauricio Sana, e incorporou Esteban Tossutti, diretor histórico dos primeiros anos da Flybondi, como assessor.
A COC Global Enterprise acusou os ex-executivos de basear a estratégia em informações falsas. Paralelamente, o Sindicato dos Trabalhadores Aeronáuticos da Flybondi (ATAF) denunciou atrasos no pagamento de salários e contribuições sociais, problema que persiste até hoje. O quadro de funcionários sofre uma sangria diária, com dezenas de demissões.
As decisões relacionadas à auditoria indicam uma reestruturação operacional abrangente. Os atuais proprietários preparam a saída do modelo ultra low-cost para adotar uma operação mais tradicional, ajustada à capacidade real disponível.
O plano incluiria, conforme antecipado, o abandono da marca Flybondi em favor da identidade OCA Air, incorporando as cores institucionais da OCA, visando integrar a empresa ao mercado regional de logística, equilibrando o transporte de passageiros com o de cargas comerciais.
Neste contexto, na quinta-feira (30), Flybondi operou apenas três voos para Puerto Iguazú e Bariloche, todos com o Boeing 737-800 LV-KEF. Na madrugada de sexta, houve voos para Ushuaia e Rio de Janeiro. Em várias ocasiões, o Flightradar24 detectou o LV-KJF em Lima, porém sempre em solo. Nenhuma operação aérea foi observada ao longo do dia.
No Aeroparque, os voos para Bariloche e Mendoza estão cancelados no momento. Para sábado, 1º de agosto, estão previstos voos para Tucumán, Neuquén, Iguazú, Jujuy, Córdoba, Santiago del Estero e Bariloche, com cancelamentos para Assunção, Posadas e novamente para Bariloche. Em Ezeiza, há voo para Tucumán às 4h30 e outro para Bariloche às 7h30, porém este último já foi cancelado.
Resta aguardar o desenrolar para confirmar os próximos passos da companhia. Oficialmente, até o momento, não há novas informações.


