
Os trabalhadores da Airbus na Espanha aprovaram, por ampla maioria, a mais recente proposta apresentada pela direção da empresa, encerrando um período de conflitos, mobilizações e greves que afetavam as fábricas espanholas da fabricante desde o verão europeu. A votação, realizada entre 30 de setembro e 1º de outubro, registrou apoio de 76,76% dos participantes.
No total, participaram do referendo 13.560 funcionários das unidades da Airbus em Getafe, Illescas, Albacete, Sevilha (San Pablo e Tablada) e Cádiz, seja presencialmente ou remotamente.
O “sim” venceu em todos os sites, ainda que com maior disputa em algumas localidades, como San Pablo. O acordo foi celebrado após meses de negociações intensas entre direção e sindicatos, que começaram em novembro de 2025 e envolveram até uma greve por tempo indeterminado no final de agosto.
O acordo prevê a manutenção do poder de compra dos trabalhadores, com uma recuperação salarial acumulada de 7,95% entre 2026 e 2029. Os salários acompanharão o índice real de inflação anual, sempre com um acréscimo: 2% de suplemento ao índice até 2028 e 1,95% em 2029.
Estão previstos também dois bônus anuais de 0,5%, destinados a ajustes salariais individuais e promoções internas. Em outubro, cada trabalhador receberá um bônus excepcional de €2.000 brutos, para compensar o atraso na aplicação dos reajustes entre janeiro e abril de 2026.
O acordo mantém as atuais regras de teletrabalho para o quadro de escritório, com possibilidade de até 40% da jornada remota ou dois dias por semana, inclusive para futuros contratados. Também foi previsto um mapeamento de funções que podem adotar horários de chegada e saída flexíveis, excetuando-se os postos ligados diretamente à produção fabril para preservar a continuidade operacional.
Sobre as férias, ficou definido que os funcionários terão direito a duas semanas obrigatórias e duas flexíveis, devendo o cronograma ser negociado individualmente entre empregado e chefia, equilibrando as necessidades de produção com a situação pessoal do trabalhador.
O texto resguarda as condições dos trabalhadores envolvidos no projeto Bromo, de criação de uma nova entidade legal para as atividades espaciais em parceria com Thales e Leonardo.
A Airbus se compromete a manter todos os direitos previstos em acordo coletivo, sem período adicional de experiência e com reconhecimento de tempo de casa para os transferidos.
A administração também retirou um recurso que tinha no Supremo Tribunal espanhol sobre o “carteiro de Bradford”, ferramenta de controle de absenteísmo, com restituição dos valores descontados prevista para outubro e criação de grupo de trabalho para debater futuras regras sobre o tema.
No entanto, alguns processos seguem em curso: a queixa do sindicato CGT, que acusa a Airbus de desrespeitar o direito de greve e de atuar de má-fé nas negociações, ainda será julgada em 4 de novembro.
“Agora temos regras claras para os próximos anos. Nosso desafio é conquistar carga de trabalho, gerar mais empregos e fazer da Airbus um dos principais motores industriais do país”, afirmou Antonio Montoro, secretário-geral da UGT FICA em Cádiz.





