Governo saudita toma decisão que corta um dos maiores fluxos de voos do mundo

John Taggart via Wikimedia Commons

O governo da Arábia Saudita anunciou que permitirá apenas um número “pequeno e muito limitado” de peregrinos durante o Hajj deste ano, e provavelmente proibirá todos os estrangeiros de participar do evento. Tal decisão está sendo vista como um grande golpe para a indústria aérea em todo o mundo muçulmano.

Segundo a CNN, o ministro do Hajj, Muhammad Benten, disse durante uma conferência de imprensa virtual que o número de peregrinos autorizados a participar da peregrinação deste ano pode chegar a 1.000 residentes sauditas para garantir o distanciamento social, muito distante dos mais de 2 milhões que se deslocam todos os anos para Meca.

Além disso, todos os fiéis que participarem do evento terão que ficar em quarentena antes e depois do Hajj e cidadãos com mais de 65 anos não poderão ir a Meca. O período Hajj deste ano começa em 28 de julho e vai até 2 de agosto.

Para se ter uma ideia, em 2019, 2,5 milhões peregrinos participaram do Hajj, dos quais cerca de 2 milhões vieram de fora da Arábia Saudita. Há empresas aéreas no mundo que vivem apenas disso, outras possuem aviões de grande porte apenas para essa peregrinação, os quais ficam parados o ano todo para, ná época certa, fazerem uma intensiva ponte aérea com Jidá e Medina.

Além disso, o aeroporto de Jidá possui um terminal específico para o desembarque dos peregrinos, o qual, nos períodos mais movimentados, recebe dezenas de aeronaves de grande porte somente com essa finalidade.

Agora, com a decisão saudita, todo esse enorme fluxo, que é um dos maiores do mundo visando a um evento em específico, será estancado, imprimindo um aperto extra para as companhias aéreas do mundo muçulmano.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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