Grupo controlador da Avianca e da GOL avança em duas frentes para conquistar passageiros de diferentes classes

Fotomontagem: AEROIN / DepositPhotos

EXCLUSIVO – O Grupo Abra tem avançado com propostas diferentes para conquistar o público viajante e usa suas empresas aéreas para ter diferentes abordagens enquanto procura uma proposta consistente.

Em entrevista exclusiva ao AEROIN, o vice-presidente de compras estratégicas e de frota (CPO) do Grupo Abra, Francisco Raddatz, deu detalhes de como a empresa balanceia a integração com a independência entre as companhias aéreas do grupo, que hoje controla a Avianca, a GOL, a Wamos Air e, muito em breve, a SKY Airline, do Chile.

Durante a nossa conversa na sede da Avianca, em Bogotá, perguntamos se, com o lançamento da nova classe Insignia, já presente na GOL e agora sendo apresentada na Avianca com detalhes inéditos na América Latina, o foco do grupo seria mudado para o público premium, que tem sido uma clara tendência de mercado após “uma década” de predominância de estratégias low-cost em companhias aéreas globais.

Citando o slogan atual da Avianca, que é “El cielo es de todos”, Raddatz apontou que “os céus de todos significa que a gente quer todos os passageiros em nossos aviões. O passageiro que quer voar mais barato, que não precisa de uma proposta completa, mas também, do outro lado, o passageiro que quer voar num padrão mais alto, que quer descansar, dormir, colocar o pijama, ter uma comida produzida por um dos mais prestigiosos chefs e com entretenimento de última geração“.

Desta maneira, a empresa manterá os jatos Airbus A320neo com a Business Class Américas, com as três primeiras fileiras com assentos mais confortáveis, com a poltrona do meio sendo transformada em uma mesa multiuso, enquanto os jatos Boeing 787-8 receberão a nova Classe Insignia.

Já para os futuros A330neo, que primeiro passarão pela GOL para agilizar o processo de certificação, também será oferecida uma classe executiva nova, embora ainda não seja no padrão Insignia, será superior à do Boeing 787-8 atual (configuração herdada da Norwegian Air).

Os detalhes desta futura Business Class Americas para os A330-900 não foram revelados ainda, apesar de ser conhecido que o avião voará na Avianca com a configuração herdada da AirAsia X, que, por sua vez, foi utilizada na Azul com certo criticismo, já que o jato A330neo fazia rotas longas com assentos muito diferentes dos vendidos inicialmente e que se encontram hoje no A330-200 da empresa brasileira.

Demos o exemplo prático sobre um passageiro que voe na executiva de São Paulo até Nova York com conexão em Bogotá, que é uma rota comercializada hoje pela Avianca, e Raddatz destacou que “pode ser que você encontre que o A330neo não tenha exatamente o mesmo assento do 787 (Insignia), mas a proposta para o passageiro de toda a experiência é algo consistente“.

Também perguntamos sobre a SKY Airline, que é a “mais low-cost” das empresas do Grupo Abra, e Francisco destacou que a empresa manterá sua independência e que o Chile, sede da companhia, e o Peru, onde mantém uma subsidiária, eram países em que o grupo ainda não tinha uma presença relevante (principalmente por ser território da LATAM) e que se necessitava de uma capilaridade maior.

A gente mantém um board independente para controlar as operações, para que seja uma transição tranquila para os empregados, fornecedores, clientes e parceiros, então eles vão manter a independência e, obviamente, vamos começar a trabalhar em coordenação em algumas frentes, como a gente já faz dentro do Grupo Abra, para que o foco seja em sinergia e em trazer benefícios para cada companhia, mantendo a marca ou proposição do produto, da identidade à cultura de cada companhia“, afirmou o executivo.

O CPO também concluiu destacando que o fortalecimento da rede é o principal diferencial que a Abra almeja: “A gente quer criar um grupo que tenha uma presença relevante na região, uma escala relevante para ter uma rede mais forte, que os passageiros tenham acesso a mais voos, a mais tipos de produtos, que a gente consiga gerar escalas, que a gente consiga negociar melhor com os fornecedores para trazer os custos baixos, que é importante para manter nossa proposta de fazer a viagem acessível para todos“.

O AEROIN viajou a Bogotá a convite da Avianca

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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