Interruptores de combustível do voo Air India 171 não estavam com defeito antes da queda, diz ministro indiano

Mais de um ano após o acidente fatal do voo Air India 171, ocorrido em 12 de junho de 2025 em Ahmedabad, as investigações avançam, com um novo destaque trazido em julho de 2026.

O Ministro de Estado para Aviação Civil da Índia, Murlidhar Mohol, informou ao Parlamento que as inspeções técnicas realizadas nos interruptores de combustível da aeronave, conduzidas na fábrica da Boeing em Seattle, não identificaram falhas mecânicas ou defeitos no mecanismo de trava desses componentes.

Esse resultado reforça a possibilidade de que a perda total de empuxo dos motores tenha origem diferente de um defeito puramente material nos interruptores, cujo acionamento inadequado foi um dos pontos centrais da investigação até então.

O foco agora se volta para uma análise mais ampla do módulo completo de controle de empuxo, incluindo eventuais falhas eletrônicas ou mecatrônicas que possam ter provocado sinais falsos ou interferências no sistema durante a fase crítica de subida.

No acidente, o Boeing 787-8 Dreamliner perdeu o empuxo dos motores apenas 32 segundos após a decolagem, resultando em uma tragédia com 241 mortos entre os 242 ocupantes e 19 vítimas no solo. O relatório preliminar de julho de 2025 já havia confirmado que os interruptores de combustível foram movidos da posição “RUN” para “CUTOFF” e imediatamente retornaram, bloqueando temporariamente o fluxo de combustível.

A confirmação da integridade mecânica dos interruptores muda o rumo da apuração, que agora inclui a investigação aprofundada das vias eletrônicas do sistema de controle. Além disso, análises das gravações do cockpit indicam que houve interrogativas entre pilotos sobre o motivo do desligamento dos motores, mas não detalham se a ação foi manual ou resultado de falha técnica.

Enquanto autoridades americanas como a FAA e o NTSB consideram possível a ação manual, sindicatos de pilotos indianos sugerem que uma falha elétrica primária pode ter desencadeado o acidente, citando a ativação do gerador de emergência (“Ram Air Turbine”) como indício de colapso total do sistema elétrico.

A DGCA da Índia já realizou inspeções preventivas nos mecanismos de trava de combustível da frota Boeing 787 nacional, sem encontrar problemas.

Apesar das críticas de familiares e especialistas sobre o tempo da investigação, o Ministério da Aviação Civil afirma que a complexidade do caso, envolvendo múltiplos organismos internacionais e testes laboratoriais, justifica a demora e assegura que o relatório final será divulgado integralmente assim que concluído.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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