Janela automatizada do Boeing 787 superaquece em voo e jato pousa em emergência

Boeing 787-8 da LOT – Imagem: BriYYZ / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons – Edição AEROIN

Uma ocorrência bastante séria foi registrada a bordo de um Boeing 787 nesta terça-feira, 04 de janeiro, envolvendo uma das janelas automatizadas da aeronave, que aparentemente se superaqueceu, terminado queimada.

Neste modelo de avião, quando o passageiro deseja “fechar” sua janela, ele não tem à sua disposição a tradicional pestana que existe na maioria dos aviões, que pode ser levantada ou abaixada conforme a necessidade. O que existe é um controle por botões, em que é possível escurecer ou clarear a janela.

O princípio é o da dimerização, termo geralmente utilizado para classificar o controle da intensidade de uma luz, como as lâmpadas que são usadas por quem deseja regular a intensidade da iluminação de um ambiente.

No caso deste tipo de janela, há um gel acondicionado entre duas camadas de outro material, e uma corrente elétrica através do gel é controlada pelo passageiro, levando à mudança da capacidade de passagem da luz.

O vídeo a seguir mostra a dimerização da janela do Boeing 787 em funcionamento:

Além do próprio controle individual do passageiro, como visto no vídeo acima, as janelas também são controladas à distância pela tripulação, de forma que é possível comandar o escurecimento ou clareamento de todas elas a qualquer momento.

No caso do incidente em voo desta última terça-feira, a aeronave envolvida foi o Boeing 787-8 registrado sob a matrícula SP-LRA, operado pela companhia polonesa LOT Polish Airlines.

Segundo relato recebido pelo The Aviation Herald, o jato realizava o voo LO-98 de Seul, na Coreia do Sul, para Varsóvia, na Polônia, com 180 pessoas a bordo, e já estava descendo em direção ao destino quando a tripulação percebeu um cheiro de queimado a bordo e solicitou serviços de emergência em prontidão para pouso.

A tripulação posteriormente declarou “Mayday” – uma chamada de socorro na frequência de comunicação usada para sinalizar uma emergência com risco de vida-, e continuou o mais rápido possível para o pouso, que foi completado de forma segura pela pista 11 de Varsóvia.

Após o pouso, constatou-se que uma das janelas da cabine de passageiros mostrava sinais de estar queimada, como se nota na imagem a seguir.

É importante ressaltar que a janela é composta de várias camadas, portanto, mesmo com o aparente derretimento da camada dimerizável, não houve abertura do ambiente interno da cabine para o exterior. A situação de emergência se deu por conta do risco de haver um início de incêndio a bordo.

A aeronave voltou ao serviço cerca de 22 horas após o pouso, já que a substituição de janelas ou de camadas de janela é um processo relativamente simples e rápido.

Murilo Bassetohttp://aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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