Jato Embraer que saiu da pista e parou a metros de uma rua vai a desmonte no Equador

Um famoso caso de saída de pista na América do Sul, que quase terminou em tragédia, tem seu desfecho com a desmontagem do jato Embraer envolvido.

O acidente ocorreu em 28 de abril de 2016, quando um Embraer E190 da então Tame Ecuador (que fechou as portas em 2020) voou de Quito para Cuenca, cidade no interior do país e na região Cordilheira dos Andes.

O avião inicialmente iria de Quito para Coco mas foi redespachado para Cuenca, com 1.500 kg a mais de combustível. O tempo na cidade de destino era ruim, com bastante chuva e visibilidade baixa.

Ainda assim a tripulação conseguiu visualizar a pista durante a aproximação, que foi um tanto desastabilizada, e o jato chegou a encostar no chão acima da velocidade permitida, vindo, por consequência, a não conseguir parar nos 1.900 metros de pista disponíveis.

Sem muita saída, os pilotos tentaram manobrar abruptamente a aeronave, numa espécie de “cavalo de pau”, para girá-la e evitar que saísse do aeroporto, que fica no meio da cidade e tem ruas movimentadas em volta. A manobra deu certo e nenhuma pessoa ficou ferida, mas a aeronave deu perda total.

Dentre os motivos para o acidente, revelados pelo relatório final, que teve colaboração dos brasileiros do CENIPA por se tratar de um avião fabricado no Brasil, estão uma série de erros da tripulação.

Além do redespacho acima do peso recomendado, estão a falta de organização na cabine, que levou a uma aproximação desastabilizada, com vento de cauda (desfavorável), procedimentos errados, mal uso do freio e reversores, além do não-cálculo da distância necessária para pouso, que segundo os tripulantes do voo nunca fora ensinada para eles, mesmo sendo algo extremamente básico para qualquer piloto.

Todos estes e outros fatores levaram à perda do Embraer E190, segundo o relatório final. Desde o acidente o avião estava parado em Cuenca, e com a falência da Tame, todo o seu patrimônio está sendo vendido para pagar as dívidas, inclusive o jato acidentado.

O E190 está sendo demonstado e terá suas partes vendidas, já que o seu conserto não é viável financeiramente. Veja abaixo como o avião está hoje, já com bastantes partes retiradas:

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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