
A Southwest Airlines, companhia aérea texana criadora do modelo low-cost, pode romper com mais um de seus princípios básicos e voar um avião bem diferente do que ela já opera há décadas.
Segundo a reportagem exclusiva da Reuters, a empresa que hoje tem 799 jatos Boeing 737 da série Next Generation e MAX, e neste mês chegará à incrível marca de 800 aeronaves do mesmo modelo, algo nunca alcançado na história mundial da aviação, poderá ir para um modelo de avião maior.
Fundada por Herb Kelleher, que desafiou a regulamentação da década de 70 e começou a oferecer tarifas aéreas abaixo dos preços de tabela, alegando que a Constituição do Texas não obrigava valores mínimos ou máximos, fez com que o setor aéreo americano fosse desregulado por inteiro, saindo de uma companhia aérea regional para a maior empresa operadora de jatos Boeing no mundo.
Além do 737, a Southwest operou apenas o 727, mas por um período curto de tempo, e com o jato sendo de tamanho muito próximo ao dos 737 da sua frota. Esta decisão por homogeneidade da frota não é à toa: Kelleher sempre prezou que o modelo low-cost teria como um dos principais pilares a simplicidade da frota, sendo obtida com a operação de um único modelo de aeronave, ou algo bem próximo disso, visando reduzir custos de peças e treinamento, além de poder ter um poder maior de barganha com os fornecedores.
Entre outros pilares estavam serviço de bordo simplificado, não marcação de assento, ausência de classes premium e foco em voos domésticos, sendo permitidos apenas voos internacionais com duração similar à dos domésticos, motivo pelo qual a Southwest tem hoje presença considerável na América Central e no Caribe.
Porém, com a nova administração da Southwest, imposta pelo fundo Elliott Management, tudo isso tem mudado: hoje já existe marcação de assentos, a bagagem é cobrada, e se fala em uma “gourmetização” do serviço, com assentos mais confortáveis além do “espaço extra para as pernas” tradicional.
Segundo a Reuters, o próximo passo para o distanciamento das suas raízes será quebrar o seu maior tabu, que serviu de base para outras low-costs, como a irlandesa Ryanair e a brasileira GOL (que está indo na mesma direção com a chegada do Airbus A330): operar o 787 Dreamliner para voos intercontinentais.
Três pessoas próximas à companhia informaram à agência que a empresa está conversando com a Boeing para optar pelo 787 Dreamliner como opção para suas primeiras operações fora da América do Norte e Central, também iniciando o serviço da empresa com jatos de dois corredores, os widebodies.
Seriam algumas dezenas destas aeronaves num pedido inicial, mas o martelo só será batido após uma decisão do conselho da empresa, que foi exatamente controlado pela Elliott. Em setembro, o diretor financeiro da empresa, Tom Doxey, disse que voos internacionais de longa duração seriam uma opção “na mesa da Southwest”, mas que nada ainda fora decidido.
O presidente do sindicato de pilotos da Southwest também confirmou esta tendência, com a empresa discutindo com os sindicalizados uma operação de aeronaves maiores, fazendo-se necessária uma alteração na convenção coletiva vigente.
Um problema seria o prazo de entrega, já que o 787 Dreamliner está com bastantes pedidos e que muito possivelmente uma nova encomenda feita hoje não seria entregue pela Boeing antes de 2030. Por isso, a Southwest está analisando aeronaves usadas que possam estar disponíveis num futuro mais próximo. O seu concorrente, o Airbus A330neo, que inclusive tem uma fila de entrega menor, teria sido avaliado, mas a empresa tem preferido se manter fiel à Boeing, que teria apoiado a ideia e dado incentivos à sua maior cliente.
Ainda não existem comentários sobre rotas em potencial, mas com as operações concentradas em cidades no meio dos EUA, mas não através de hubs imensos, existe tanto a possibilidade de voos intercontinentais terem como destino a Europa, a Ásia ou a América do Sul, principalmente focando no público que viaja a turismo.





