Ministério Público pede intervenção da Justiça após identificar graves irregularidades no Aeroporto de Juína-MT

Imagem: Google Earth

A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Juína, município localizado a 735 quilômetros de Cuiabá-MT, ajuizou nesta quarta-feira (5) uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido de liminar para obrigar a Prefeitura a regularizar a gestão, a infraestrutura, a acessibilidade, a segurança operacional e a utilização econômica do Aeroporto Municipal.

A ação foi proposta após a conclusão de um inquérito civil que apontou uma série de irregularidades na administração e nas condições de funcionamento do aeródromo.

Segundo o promotor de Justiça Dannilo Preti Vieira, os problemas identificados vão além da necessidade de modernização do aeroporto. Para ele, “o equipamento público não atende, de modo minimamente satisfatório, a deveres legais de acessibilidade, conservação, segurança operacional, organização administrativa, controle de acesso e gestão patrimonial“.

Entre os pedidos liminares, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) requer a suspensão de novas cessões gratuitas e informais de áreas do aeroporto a particulares, a implantação do registro obrigatório de todas as operações aéreas e a preservação dos documentos e registros relacionados ao funcionamento do aeródromo nos últimos cinco anos.

O órgão também solicita que o Município formalize a estrutura administrativa do operador aeroportuário, apresente um inventário dos hangares e das ocupações existentes e conclua, em até 90 dias, a regularização patrimonial, além de definir critérios para a cobrança pelo uso das áreas e dos serviços aeroportuários.

No mérito da ação, o MPMT pede a implementação de um plano permanente de regularização do aeroporto, contemplando adequações de acessibilidade, regularização ambiental e operacional, correção de falhas estruturais e de segurança, formalização das ocupações privadas e cobrança das contraprestações legalmente devidas pela utilização da infraestrutura pública.

As investigações apontaram problemas no terminal de passageiros, nas instalações prediais, nos sistemas elétrico e sanitário, no cercamento, nos acessos e na infraestrutura de embarque e desembarque. Além disso, o Município não comprovou a existência de controles adequados sobre operações aéreas particulares, ocupação de hangares, uso das áreas aeroportuárias e arrecadação de tarifas e outras receitas vinculadas ao aeroporto.

Uma vistoria realizada pelo Centro de Apoio Técnico à Execução (CAEx) do MPMT reforçou as conclusões do inquérito. O relatório técnico identificou infiltrações, fissuras, desgaste da estrutura do terminal, precariedade nas instalações elétricas, falhas na drenagem da pista, cercamento comprometido e ausência de instrumentos de gestão e segurança exigidos pela regulamentação aeronáutica.

Também foram constatadas deficiências de acessibilidade, como a inexistência de rota acessível contínua entre o estacionamento, o terminal e a área de embarque, além da falta de sanitários adaptados e de condições adequadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Outro ponto destacado na ACP é a utilização da infraestrutura aeroportuária por particulares sem controle adequado e sem comprovação de cobrança pelo uso. Durante a investigação, a empresa Abelha Táxi Aéreo e Manutenção Ltda. informou ter realizado 75 operações em Juína entre janeiro e maio de 2026, sendo 73 voos aeromédicos e dois executivos, sem qualquer custo com pousos e decolagens.

Enquanto a coletividade não dispõe de terminal regular, acessível e apto a processar transporte comercial, aeronaves particulares continuam utilizando a pista, o pátio, hangares e demais facilidades do aeroporto, sem que o Município tenha demonstrado controle completo das operações, instrumentos de uso das áreas ou cobrança de contraprestação“, argumentou o promotor de Justiça.

Em outro trecho da ação, ele ressaltou que o Ministério Público não questiona a utilização do aeroporto por aeronaves privadas, desde que sejam observadas as exigências legais.

Não se questiona o direito de aeronaves privadas utilizarem aeródromo público quando a operação for autorizada e compatível com a segurança. O que a ordem jurídica não admite é que a utilização se faça gratuitamente, sem registro, sem critério, sem título de ocupação e sem remuneração das áreas ou serviços empregados. A natureza pública do aeródromo exige universalidade, impessoalidade, transparência e ônus de utilização, e não a conversão do equipamento em benefício seletivo custeado pelo erário“, pontuou.

Antes de ajuizar a ACP, o Ministério Público tentou solucionar a situação por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não houve acordo. Em resposta, o Município informou que o aeroporto integra o Programa AmpliAR, do governo federal, e poderá ser incluído em uma futura concessão à iniciativa privada.

Para o promotor de Justiça, no entanto, a possibilidade de investimentos futuros não elimina as responsabilidades atuais da administração municipal.

Essas informações demonstram perspectiva concreta de investimento federal e devem ser consideradas para evitar duplicidade de projetos e despesas. Não demonstram, porém, transferência atual da delegação“, afirmou. Segundo ele, “as datas apresentadas são projeções administrativas relevantes, mas não equivalem a obrigação contratual já eficaz nem asseguram, por si sós, que o aeroporto será assumido no prazo imaginado“, consignou.

Localizado a cerca de 6,7 quilômetros do centro urbano, o Aeroporto Municipal de Juína possui um terminal de aproximadamente 817 m² e uma pista asfaltada de 1.600 metros de extensão. Considerado estratégico para a integração regional, o aeródromo atende operações aeromédicas e reduz significativamente o tempo de deslocamento entre Juína e Cuiabá, trajeto que, por via terrestre, pode ultrapassar 12 horas.

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Juliano Gianotto
Juliano Gianotto
Com uma paixão pelo mundo aeronáutico, especialmente pela aviação militar, atua no ramo da fotografia profissional há 8 anos. Realizou diversos trabalhos para as Forças Armadas e na cobertura de eventos aéreos, contribuindo para a documentação e promoção desse campo.

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