Novo filme traz uma visão impiedosa dos bastidores do mundo dos comissários de voo

Um novo filme de longa metragem foi lançado em março deste ano com o objetivo de retratar a vida de uma comissária de voo, mas, em vez de apenas glamour, a imagem apresentada é menos piedosa. Os diretores, por sua vez, dizem que ele é totalmente baseado em fatos reais. Certamente, o primeiro longa-metragem de Julie Lecoustre e Emmanuel Marre, intitulado Rien à foutre, causará polêmica.

Na trama, Adèle Exarchopoulos é Cassandre, uma jovem que tem o desejado emprego de comissária de voo e passa uma boa parte do tempo “vendo o mundo de cima”, enquanto compartilha suas alegrias, anseios e medos, durante suas viagens pelos quatro cantos da Europa a bordo de uma empresa low-cost fictícia Wing. Cada dia tem seu destino, cada noite seu ritual: beber shots de vodka com seus colegas, compartilhar suas viagens diárias no Instagram e, possivelmente, sondar o Tinder em dates que duram apenas algumas horas. 

Por trás de seu sorriso, no entanto, a jovem tem uma vida de menos glamour, desequilibrada entre uma suposta solidão, ainda que esteja no meio de gente todo o tempo, e as rígidas exigências da profissão.

Um trailer do filme pode ser visto abaixo (esperar pelo carregamento).

“Eu imagino Cassandre como essas árvores doentes: é oco por dentro, mas as folhas continuam crescendo ao redor. Ela não tem objetivos, está se perdendo, e mesmo assim há algo vivo nela”, disse o co-diretor Emmanuel Marre ao Daily. Ele complementa comentando que “o filme não é um grito de revolta, mas o retrato muito fiel de uma geração jovem e passiva que, quando quer se tornar ativa, se vê sobrecarregada pelo sistema”.

“Para Cassandre, tudo é uma forma de auto aceitação”, diz Julie Lecoustre, a outra co-diretora, “mas o título tem outros significados: é também, mais literalmente, sinônimo de tédio, aqueles momentos pantanosos em que você tenta se manter ocupado, no smartphone, por exemplo”.

Neste drama que se revela em duas etapas, onde primeiro se mergulha no cotidiano da protagonista. E nos bastidores da empresa fictícia, que certamente tem inspiração na Ryanair, não há nada para sonhar. O sorriso de Cassandre é uma máscara, uma das regras a serem respeitadas em uma profissão sujeita a um modo de trabalhar neoliberal, até mesmo ultraliberal”, diz Lecoustre.

“Durante muitos meses, investigamos comissários de empresas de baixo custo. A ideia de alienação econômica – ver o humano como mero insumo comercial, despersonalizar funcionários, porque também é disso que se trata – é geralmente aceita. Muitas vezes ouvimos:”  É difícil, mas por outro lado, nos divertimos…”, seguiu a diretora.

Sem entrar em spoilers sobre o filme, na segunda parte do filme Cassandre acaba sentindo a necessidade de retirar essa máscara, tomando uma dimensão mais emocional e profunda. O trailer pode ser visto abaixo.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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