Número de aeroportos latino-americanos no programa Airport Carbon Accreditation mais que dobra em quatro anos

Imagem: Will Recarey / Divulgação – Salvador Bahia Airport


A participação de aeroportos da América Latina e do Caribe no Airport Carbon Accreditation (ACA), programa de gestão de emissões de carbono administrado pelo Airports Council International (ACI), vem crescendo de forma acelerada.

Um gráfico apresentado pela ACI mostra que o número de aeroportos da região incluídos no programa passou de 54 em 2022 para 117 em 2026. Nessa comparação de quatro anos, são 63 aeroportos a mais, ou um crescimento de aproximadamente 117%. Em outras palavras, a quantidade de participantes mais do que dobrou no período.

A trajetória registrada no gráfico é de crescimento contínuo: foram 54 aeroportos em 2022, 76 em 2023, 91 em 2024, 103 em 2025 e 117 em 2026. As taxas anuais de expansão foram de aproximadamente 41%, 20%, 13% e 14%, respectivamente.

Os números mais recentes são compatíveis com a base oficial do Airport Carbon Accreditation. Na consulta realizada em setembro de 2026, o programa contabilizava 117 aeroportos em 16 países da América Latina e do Caribe, responsáveis por 61,1% do tráfego de passageiros da região.

A evolução já era bastante perceptível antes da marca de 100 aeroportos. Em novembro de 2025, o ACI informava que 103 aeroportos em 16 países estavam acreditados na América Latina e no Caribe, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. Naquele momento, esses aeroportos recebiam conjuntamente mais de 430 milhões de passageiros por ano.

O marco de 100 participantes havia sido alcançado poucos meses antes. Em maio de 2025, a divisão latino-americana e caribenha do conselho (ACI-LAC) anunciou que o 100º aeroporto da região havia entrado no Airport Carbon Accreditation.

A tendência fica ainda mais clara quando se observa a série histórica dos relatórios oficiais do programa. O relatório referente a 2022-2023 apontava 76 aeroportos acreditados na América Latina e no Caribe, contra apenas 53 no ano anterior. Já o relatório seguinte registrou 85 aeroportos no encerramento de 2023-2024. O relatório mais recente, referente a 2024-2025, chegou a 103 aeroportos.

Essa diferença entre alguns números dos relatórios anuais e o gráfico apresentado pela ACI merece uma observação: os relatórios do ACA utilizam anos do programa, normalmente de maio a maio, enquanto apresentações institucionais e bases atualizadas podem refletir posições em diferentes datas. Assim, os números não devem necessariamente ser interpretados como uma série estatística fechada em 31 de dezembro de cada ano.

Mais do que um selo ambiental, o ACA estabelece uma metodologia progressiva para que os aeroportos meçam, gerenciem e reduzam suas emissões.

Atualmente, o programa possui sete níveis de certificação. O Nível 1 exige que o aeroporto identifique as fontes de emissão e calcule sua pegada de carbono. No Nível 2, passa a ser necessário demonstrar reduções quantificadas. No Nível 3, o aeroporto amplia o alcance da análise e envolve empresas e outros terceiros que atuam no complexo aeroportuário.

Os níveis superiores elevam significativamente a exigência. O Nível 4 requer uma estratégia de longo prazo voltada à redução absoluta das emissões e alinhada aos objetivos do Acordo de Paris. O Nível 5, atualmente o mais elevado, exige a manutenção de um balanço Net Zero (saldo líquido zero de emissões) nos Escopos 1 e 2, além de ações para tratar as emissões de Escopo 3.

O crescimento da quantidade de aeroportos da América Latina e do Caribe participantes, entretanto, não significa que todos estejam no mesmo estágio de descarbonização.
A distribuição atual da região mostra 29 aeroportos no Nível 1, 27 no Nível 2 e 50 no Nível 3. Há ainda quatro no Nível 3+, três no Nível 4, três no Nível 4+ e um no Nível 5.

Isso significa que 106 dos 117 aeroportos estão atualmente nos níveis 1 a 3, enquanto 11 chegaram aos níveis 3+, 4, 4+ ou 5. A diferença é importante porque a acreditação reconhece uma trajetória progressiva: estar no programa representa o início ou continuidade de um processo, e não necessariamente que o aeroporto já tenha alcançado neutralidade ou Net Zero.

Brasil ganha peso na expansão

O Brasil também aparece entre os países que vêm ampliando a participação. Em fevereiro de 2026, o ACI-LAC anunciou a entrada de 11 aeroportos da Aena Brasil no programa, todos no Level 1. A lista inclui Congonhas, Campo Grande, Uberlândia, Santarém, Corumbá, Ponta Porã, Altamira, Marabá, Montes Claros, Carajás e Uberaba.

O movimento ocorre paralelamente à evolução dos aeroportos que já estavam no programa. O Salvador Bahia Airport, por exemplo, tornou-se em 2025 o primeiro aeroporto das Américas a alcançar o Nível 5, o estágio mais elevado da certificação.

Programa também cresce no mundo

A expansão latino-americana faz parte de um movimento global. O relatório oficial mais recente, referente ao período de maio de 2024 a maio de 2025, registrou 590 aeroportos acreditados em 91 países e territórios, sendo 104 novos participantes. Esses aeroportos receberam conjuntamente 53,6% do tráfego aéreo global de passageiros.

No mesmo período, os aeroportos participantes reduziram conjuntamente suas emissões de Escopos 1 e 2 em 542.559 toneladas de CO₂, uma queda de 8,1%.

Em setembro de 2026, a página oficial do programa já contabiliza 655 aeroportos acreditados globalmente, dos quais 117 estão na América Latina e no Caribe.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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