Oficial de inteligência russo disfarçado em Tóquio usava rota aérea para enviar tecnologia bélica à Rússia

Um oficial do serviço de inteligência militar russo (GRU) utilizava uma cobertura como funcionário da Aeroflot em Tóquio para montar rotas de transporte de tecnologia sensível destinada à produção de armamentos na guerra contra a Ucrânia, informou o New York Times em reportagem de 12 de julho.

O agente, Maxim Vladimirovich Filchenkov, de 49 anos, chegou ao Japão em fevereiro de 2024 e estabeleceu conexões com empresas de logística que enviam cargas para a Rússia via Sri Lanka e Uzbequistão, onde os carregamentos são transferidos para voos da Aeroflot rumo a Moscou.

De acordo com autoridades ocidentais, Filchenkov atua sob disfarce de empregado da companhia aérea, enquanto seu verdadeiro trabalho é adquirir equipamentos militares e organizar sua remessa para solo russo.

Ele já esteve vinculado a endereços ligados à Academia Militar-Diplomática do GRU e tem ligações com oficiais envolvidos em operações de espionagem e ataques no exterior, como o envenenamento de Sergei Skripal em 2018.

A prática de usar postos na Aeroflot para camuflar operações de aquisição de tecnologia ocidental remonta à era soviética. Com o avanço do conflito na Ucrânia e sanções rigorosas que dificultaram o acesso do complexo militar-industrial russo a maquinário crítico, a atuação de Filchenkov ganhou importância estratégica.

A empresa Proco Air, parceira da Aeroflot no Japão, atua como intermediária no transporte de cargas entre os dois países, operando voos para destinos que incluem Colombo e Tashkent. Seu proprietário, Takehiko Miki, negou conhecimento das ligações de Filchenkov com o GRU e afirmou que sua empresa só envia produtos permitidos, como equipamentos médicos e cosméticos.

Dados internacionais indicam que o Japão é o maior exportador mundial de tecnologias sensíveis de uso dual, com destino principal ao Vietnã, que também fornece componentes para a Rússia. Autoridades ucranianas apontam que cerca de 90% dos mísseis e drones russos contêm peças japonesas, apesar dos esforços diplomáticos para alertar Tóquio sobre essa situação.

Fabricantes como Nippon Electric, Panasonic e Toshiba afirmam respeitar sanções e restrições de exportação, ressaltando que as peças encontradas em armas russas foram fabricadas há anos e não foram vendidas recentemente para a Rússia.

Enquanto o Ministério da Economia do Japão monitora e sanciona organizações suspeitas de auxiliar a Rússia, não há até o momento ações públicas contra Filchenkov. Tentativas de contato da imprensa com o agente em Tóquio foram ignoradas.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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