
Um quase incêndio tem causado uma disrupção na linha de produção de janelas de três das mais populares aeronaves comerciais da atualidade e acendeu um alerta nas fabricantes Airbus e Boeing.
Em maio, um dos tanques de metacrilato de metila em uma fábrica na Grande Los Angeles superaqueceu, fazendo com que não apenas a linha de montagem fosse evacuada, mas também os quarteirões ao redor. O caso aconteceu na unidade da GKN Aerospace na cidade de Garden Grove, no condado de Orange, próxima à Disneyland e ao sudeste do centro de Los Angeles.
Nesta unidade da GKN são fabricadas as janelas das aeronaves comerciais Airbus A220, A350 XWB e Boeing 737 MAX, além do jatinho Global 8000, da Bombardier, incluindo o material acrílico que de fato forma a janela. Apesar do susto, ninguém se feriu e a produção foi retomada alguns dias depois, mas apenas de maneira parcial.
A GKN é uma das grandes fornecedoras do setor aeroespacial, também fornecendo componentes para o caça F-35 Lightning II, da Lockheed Martin, o grande avião turboélice A400M Atlas, os helicópteros Apache e NH90, além dos jatos comerciais Airbus A320neo e Boeing 787 Dreamliner. No Brasil, ela faz parte da cadeia de fornecedores do motor GE F414 do caça Saab JAS-39E/F Gripen, que é montado pela Embraer e operado pela Força Aérea Brasileira.
A expectativa é que a GKN recupere a capacidade plena de produção da unidade no condado de Orange até o final deste ano, mas este incidente já causou efeitos na cadeia de produção da Airbus, Bombardier e Boeing, como apontou nesta segunda-feira (3) a Reuters.
Companhias aéreas que operam jatos 737 MAX receberam notificações da Boeing para realizarem trocas de janelas apenas quando estritamente necessário, ou seja, somente por motivos de segurança, e não por questões de aparência externa. A fabricante americana informou que “está trabalhando com o fornecedor e tomando medidas para mitigar qualquer impacto potencial“.
Por outro lado, a Embraer não foi afetada, já que todos os seus aviões, civis e militares, utilizam janelas fabricadas pela PPG, assim como a Textron Aviation (Bell, Beechcraft e Cessna) e a Gulfstream.
Ainda não foi possível mensurar se a paralisação da unidade da GKN resultará, de fato, em atraso na entrega de alguma aeronave, mas a situação é monitorada por todos os fabricantes que possuem contrato com esse fornecedor.





